Carly Rae Jespen – Dedicated; Disco Redondo Para Quem Busca Música Pop de Fácil Assimilação.

Alguns artistas têm a alcunha de one hit Wonders, que define
aqueles que terão apenas uma música de muito sucesso pelo resto de suas vidas.
A canadense Carly Rae Jespen ficou marcada com o smash hit de 2012 “Call Me Maybe’’,
e desde então não teve sucesso em lançar nenhum outro hit equiparável. Porém
Jespen se valeu de fortificar uma base de fãs fiel com o álbum Emotion de 2015.
Álbum bem recebido pela crítica e por parte do público, principalmente os
amantes de música pop. E agora em 2019 consolidando mais ainda esse nicho Carly
Rae Jespen lança Dedicated.

É engraçado pensar nos temas líricos
dos discos de Jespen, a garota parece sempre perseguir incansavelmente um objeto
amoroso sem no entanto alcança lo. Para a canadense aparentemente a busca é
mais interessante e estimulante do que conquistar a linha de chegada
efetivamente.

Powerpop jams estão por toda a
parte do disco, do tipo que te faz não pensar em nada e apenas se jogar numa música
de fácil assimilação. Não implicando no entanto falta de qualidade.

Julien, Now That I Found You e Happy
Not Knowing, são excelentes amostras desse pop descompromissado e nem por isso
jogado a mediocridade. Julien, que abre o disco, tem produção caprichadíssima e
vale uma chance de ser experimentada.

As ótimas Too Much e Party For One
trazem um aspecto confessional que dá substância a obra, não deixando
necessariamente o ritmo do disco cair, pelo contrário.

No Drug Like Me, Everything He Needs,
que lembra uma produção do The 1975, e Automatically In Love, trazem um swing romântico
e magnético.

Se você está antenado no mundo da
música pop dos últimos pelo menos 6 anos, já ouviu falar, inclusive aqui, de
Jack Antonoff, o americano empresta seu toque em Want You in My Room. A faixa
parece um descarte de algum projeto do Bleachers, o que nesse caso não é um
elogio.

Progredindo em um processo muito
particular, Carly tem permanecido agarrada as beiradas da indústria, entregando
trabalhos pontuais que de certa forma a mantém viva no imaginário daquela
parcela do público que consome indie pop. Essa transformação da canadense em
algo cult tem trazido bons resultados e esperança a aqueles que de certa forma
podem se encaixar nesse novo, ou nem tão novo, nicho de estrelas que prezam por
uma pretensa “qualidade”, sem abandonar o apelo às massas. Na expectativa de se
não hitar ótimo mas quem me dera, Jespen entrega mais um bom disco pop com coerência
e fidelidade.  

Nota 8,0 / 10

Para ouvir;

Julien

No Drug Like
Me

Now That
I Found You

Everything
He Needs

Too Much

Party For
One

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TAYLOR SWIFT – LOVER; TAYLOR ABANDONA A ESCURIDÃO E ABRAÇA O AMANHECER EM LOVER.

“Combat, I’m ready for combat” assim Taylor Swift abre uma das faixas, The Archer, do seu novo trabalho, Lover. E se tem uma coisa que Swift se aperfeiçoou em seus 13 anos de carreira, aliás número emblemático para a estrela, é justamente em combates. Namorados, celebridades, amigos, família, imprensa e opinião pública. Todos já lançaram suas pedras ao menos uma vez em Taylor e aguardávamos ansiosos pela resposta em seu próximo disco. Com as pedras servindo de metáfora para os inúmeros feudos criados ao longo dos anos, ela criou seu legado. Ressurgindo toda vez mais forte do que nunca e rendendo o mundo com recordes, hits, milhões de copias vendidas, prêmios, aclamação da crítica e do público.

Ciente de sua influência que extrapola os limites da arte, Taylor Swift dessa vez muda um pouco a direção de algumas músicas, saindo um tanto do clássico coração partido e problemas com relacionamentos, para se dirigir a rumos mais coletivos e lançar sobre eles uma perspectiva de dentro em alguns assuntos como cidadania e feminismo. E empática em outros, como causas identitárias, LGBT’s e discurso ódio em geral.

As problemáticas sentimentais ainda são presentes no
trabalho, mas de forma muito mais leve e com um approach mais maduro e seguro. Não
implicando na perda de qualidade na composição lírica. Essa característica continua
sendo o ponto forte da americana, o pecado de Lover está mais na presença pela
terceira vez consecutiva de Jack Antonoff no trabalho, que as vezes pesa um
pouco demais a mão na produção. A química dos dois em estúdio é inegável e
trouxe resultados excelentes no grammiado 1989 de 2014 e no reputation de 2017.
E como já dizia o ditado, em time que se está ganhando não se mexe, porem seria
bom uma mudança de time para que inclusive Taylor possa se permitir a errar.

O relacionamento de Taylor com o ator britânico Joe Alwyn
teve um início conturbado, principalmente devido a necessidade de o casal manter
tudo em sigilo da mídia para tentarem ao menos ter uma chance de viver o
romance sem a pressão cotidiana da imprensa. Na era reputation de 2017,
conseguimos saber como se deu em parte essa narrativa a lá Bonnie e Clyde. E na
faixa Cruel Summer temos mais um ângulo; “Eu não quero guardar segredos apenas para manter
você.” – ” E eu gritei por qualquer coisa que valesse a pena Eu te
amo, essa não é a pior coisa que você já ouviu? Ele olha para cima, sorrindo
como um demônio.”

Lover é absolutamente um disco de amor, que encontra meios
de falar nos intervalos de outros temas também caros a sua idealizadora, o que
pode ser lido como amor próprio também. Em um desses momentos temos a ótima The
Man.

‘’ Eles
diriam que eu me esforcei, foquei no trabalho. Eles não iriam balançar a cabeça
e questionar o quanto eu mereço isso. O que eu estava vestindo, se eu fui rude.
Poderia ser separado das minhas boas ideias e dos meus atos de poder.’’

É ótimo ver a artista novamente versando sobre sua experiencia
em ser anulada por comentários misóginos e machistas que tentam a todo momento
diminuir seu trabalho. Quando temos Ed Sheeran fazendo o mesmo estilo de música
e lotando turnês e sequer tendo seu talento a prova, apenas por ser homem.  The Man também tem seus méritos por ser um hit
espontâneo e de fácil assimilação radiofônica.

Ainda na linha político social, Miss Americana & Heartbreak
Prince, dialoga sobre a posição do cidadão americano que ama seu país e seus símbolos
porem se vê atualmente em uma posição difícil diante o mundo, devido a seus
inaptos governantes. Nisso desemboca uma profunda análise interna do sentido do
ser americano no século XXI.

You Need to Calm Down parece ser uma continuação natural dos
hits Blank Space do 1989 e da atômica Look What You Made Me Do do reputation. Aqui
não mais irônica ou com raiva como nos anteriores e sim totalmente no controle
da situação e utilizando do deboche para lidar com as fortes opiniões que seus pretensos
críticos tem sobre si e estendendo isso como um hino as minorias marginalizadas
pelos mesmos haters que se sentem confortáveis em proferir seu ódio atrás de uma
tela de computador ou celular.

Lover a faixa que dá título ao trabalho, é um bom exemplo de
uma direção que o trabalho pode seguir mesmo com as mãos de Antonoff já tão
marcadas na discografia de Swift. Trazendo uma produção mais intimista com um
belo conjunto de cordas e percussão se destaca pelos vocais mais bem dirigidos.
A letra, uma declaração de amor que ainda vai tocar em muitos e muitos
casamentos de millenials nos próximos anos.

Taylor tem uma relação muito próxima com sua família, em
especial com sua mãe Andrea, a qual inspirou a canção Best Day do Fearless de
2008. Diagnosticada com câncer, Andrea enfrenta a doença longe dos holofotes e
em Soon You’ll Get Better, parceria com as Dixie Chicks, temos uma visão mais próxima
das incertezas de alguém cujo um ente querido enfrenta tão assustadora doença.

“Pessoas
desesperadas encontram fé, então agora eu oro pra Jesus também”  – “Eu vou pintar a cozinha de neon, vou
iluminar o céu, eu sei que nunca vou entender, não há um dia em que eu não
tente” – “E eu odeio fazer tudo girar em torno de mim, mas com quem devo falar?
O que eu devo fazer se não houver você?”

Apesar do teor de sofrimento, não podemos deixar de nos encantar
com a breve revisitada de Taylor Swift ao country, e em como ela não perdeu a
mão do gênero que a consagrou.

A modelo Karlie Kross era integrante fixa do famigerado
squad de Taylor Swift. As duas vivam para cima e para baixo rodando a cidade de
Nova Iorque inseparáveis. Ate que algo aconteceu e as duas pararam de serem
vistas juntas, Karlie mora na Cornelia Street em West Village em Manhattan.

“E, amor,
eu fico perplexa com a forma como esta cidade grita seu nome, e amor, estou tão
apavorada com a ideia de você ir embora, eu nunca mais andaria na Rua Cornélia.”
 
Trecho da faixa Cornelia Street,
façam as contas.                

Muito se fala da capacidade de Taylor Swift em se portar
como vitima em seus trabalhos, verdade ou não, em Daylight, faixa de
encerramento do trabalho, Taylor traz uma honesta percepção de si mesma e seus
relacionamentos, assumindo o papel de algoz em alguns momentos e referenciando
os combates já mencionados no inicio desse texto.

“Talvez eu
tenha saído enfurecida de todas as salas desta cidade. Jogamos fora nossas
capas e adagas porque agora já é manhã. Está mais claro agora”

Numa postura mais conciliatória com seus próprios demônios,
Taylor se mostra aberta a reflexão e a necessidade de amadurecimento e fecha a
obra com um dos melhores versos que ela já escreveu;

“Eu quero
ser definida pelas coisas que eu amo, não as coisas que odeio. Não as coisas da
qual tenho medo. Não as coisas que me assombram no meio da noite, eu só acho
que você é o que você ama.”

Com um ritmo de faixas rápido, com a maioria não passando
dos três minutos, ainda sim implica de uma audição um pouco difícil, fazendo os
60 minutos do disco parecerem longos, cansando o ouvinte, uma boa editada no corte
final minimizaria esse efeito que passa depois de algumas audições.

Lover repete a fórmula de sucesso Swift nas letras e Antonoff
na produção, com algumas colaborações pontuais. Liricamente impressiona em
alguns aspectos e em outros retrocede, a intragável ME! como maior exemplo. Mas
basicamente é um avanço sim na carreira da americana. Comparado ao nublado e
noturno álbum anterior, é como aquela nevoa no final da madrugada que aos poucos
se dissipa com as primeiras luzes solares e onde é finalmente possível ver um
pedacinho da estrada.  

Nota 9,5 / 10

Para ouvir

Cruel Summer

Lover

The Man

The Archer

Miss Americana & Heartbreak Prince

Cornelia Street

Soon You’ll Get Better feat. Dixie Chicks

False God

Afterglow

Daylight

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Beyoncé – The Lion King; The Gift; Beyoncé Brilha em Trilha Alternativa do Filme O Rei Leão

Beyoncé é uma força da natureza, ponto. Talvez essa
afirmação seja a mais correta quando se analisa qualquer trabalho da texana de
2010 para cá. Vindo de êxitos e sucessos de crítica em seus 4 últimos discos de
inéditas e sua recente coletânea gravada ao vivo, a Sra. Carter entrega mais um
álbum no capricho; The Lion King; The Gift.

O disco é uma trilha sonora a parte do filme O Rei Leão de
2019, com canções inéditas, buscando um releitura do filme blockbuster da
Disney.

O The Gift é intercalado entre interlúdios que se conectam
diretamente ao filme e as faixas propriamente ditas que somam 14 e dessas 4 não
tem os vocais de Beyoncé.

A poderosa BIGGER traz os belos vocais da americana acompanhada
de uma bela percussão e violinos majestosos, já inserindo o ouvinte numa
atmosfera épica de magia e ancestralidade.

FIND YOUR WAY BACK tem momentos interessantes, como os
cantos tribais com distorções, mas o clima de música lounge cosmopolitana do início
dos anos 90 deixa a desejar, vista a grandeza da faixa anterior.

Tekno, Yemi Alade, Mr Eazi e Lord Afrixana dão segmento aos
trabalhos na também mediana DON’T JEALOUS ME, alguns detalhes na produção como
as evocações místicas de Yemi Alade melhoram um pouco o sabor.

Mais determinada que as faixas anteriores JA ARA E de Burna Boy,
se desenvolve de forma deliciosa nos ouvidos e entrega uma excelente
experiencia sensorial, ouça com fones potentes e no volume máximo, faça se esse
favor.

Beyoncé retorna ao trabalho e traz consigo Kendrick Lamar
para a curta NILE. Funcionando também como uma espécie de interlúdio a faixa não
decola, talvez com mais tempo poderíamos descobrir como se sairiam os dois
maiores artistas do Rap e do R&B colaborando juntos, uma pena.

JAY Z e Childish Gambino colaboram com a artista em MOOD 4 EVA
e aqui tire os sapatos, solte o cabelo e se jogue, que o momento de dançar e
sentir o feeling myself é agora. A faixa conta ainda com inserções de Ms.
Jackson do OutKast e Mo’ Money Mo’ Problems do The Notorious Big. Não tinha
como ficar ruim não é mesmo?

Alguém precisa parar Pharrel Williams urgentemente, WATER
com o cujo e Salatiel é mais um exemplo de que as coisas que ele tem tocado
ultimamente tem beirado a pieguice e o mal gosto. Nada nessa faixa funciona,
exceto claro Beyoncé, parabéns guerreira.

Incorporando o sample de Celestial Chile do artista de música
eletrônica Jeremy Sunshine, BROWN SKIN GIRL tem ainda a participação de SAINt JHN
e WizKid e claro a superstar Blue Ivy Carter, filha de Beyoncé e JAY Z, caso você
estivesse em marte nos últimos 10 anos. Dito isso e com um título desses, um
arrebatamento era o mínimo esperado e vamos continuar esperando…

Com produção assinada por Yoncé, KEYS TO THE KINGDOM de Tiwa
Savage e Mr. Eazi é um farto oásis ante a uma trilha de mediocridade apreciadas
nas duas últimas faixas completas. Bom ver as coisas se encaminhando para o
lado certo novamente juntamente com a boa ALREADY parceria de Beyoncé com Major
Lazer e Shatta Wale.

Sozinha em OTHERSIDE como em BIGGER, a americana brilha em
uma belíssima balada para ouvir de olhos fechados e coração aberto, com direito
até de trechos em dialetos africanos, um primor.

Se você gostou da trilha de Kendrick Lamar para o The Black Panther, MY POWER é para você! O refrão cantado por Nija, fica na cabeça por um bom tempo e cantar junto não é opcional.

Mais tocada no experimentalismo e com elementos dramáticos,
SCAR de 070 Shake e Jessie Reyez entrega um bom trabalho sensorial e prepara o
ouvinte para o desfecho monumental na faixa seguinte.

Pois chegamos ao fim com SPIRIT, servindo como um ponto de
remate de toda a obra, justamente destoa de tudo o que foi ouvido até aqui e
somente aqui temos aquela fórmula de balada da Disney ao qual estamos
acostumados. É bonita, bem-feita, emocionante mas repetida por tantas e tantas
vezes que se aproxima do brega. O conteúdo lírico também não traz nada de dinâmico
ao que já conhecemos, o que se salva claro são os vocais poderosos de Beyoncé,
inegavelmente.

The Lion King; The Gift, não parece ser um trabalho ousado o suficiente, nem no entanto clássico. Fica ali no meio do caminho, tomando passos bem dados em alguns momentos e em outros se deixando levar por fórmulas já saturadas. Falta a escolha de uma identidade, o abraçar completo do que se pretende ser, como a trilha de The Black Panther fez ao misturar símbolos sonoros do continente africano, principalmente subsaariano, com o de mais moderno estava se fazendo na música negra ocidental. The Gift parece ir por esse caminho em alguns momentos, porem recua no seguinte e na falta de direção fica no mediano, uma pena.

Nota 7,0 / 10

Para ouvir;

BIGGER

JA ARA E by Burna Boy

MOOD 4 EVA feat. JAY Z and Childish Gambino

KEYS TO THE KINGDOM by Tiwa Savage

OTHERSIDE

MY POWER by Tierra Whack, Beyoncé and Moonchild Sanelly feat. Nija

SCAR by 070 Shake and Jessie Reyez

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Madonna – Madame X; Entre Fados e Parcerias Dignas e Duvidosas Madonna Entrega Seu Melhor Disco Nessa Década.

Residindo já há alguns anos na improvável Portugal, Madonna
tem se habituado a quietude das comunidades quintanescas da terrinha. Bebendo
do melhor vinho do Porto, se deliciando com a culinária local e acima de tudo;
Absorvendo a riqueza cultural da península ibérica.

Portugal é um país que construiu sua identidade em parte com
a interação com outros povos, sendo outrora uma região de passagem entre o
desconhecido, representado pelo oceano atlântico e a civilização mediterrânea
européia e o norte da África já sob influência islâmica. Essa colcha de
retalhos deu origem a uma cultura multifacetada e única no contexto do velho
mundo.

Dito isso, é sabido que uma das melhores qualidades de
Madonna é justamente condensar uma ideia em torno de um conceito e entregar um
trabalho pop que exala sua idealizadora independente do trend escolhido. Como
vendedora de conceitos a americana é imbatível. O que tem faltado em seus
últimos trabalhos é justamente uma visão mais apurada e direcionada do material
a ser trabalhado e principalmente se antecipar às tendências. Madonna tem chego
tarde às festas, entregando músicas com produções já saturadas e datadas desde
Hard Candy de 2008.

Dentro desse cenário Madame X de 2019 aponta para uma
direção interessante, não sendo imaculado de erros, existem muitos, mas
recuperando os bons olhos e acima de tudo ouvidos de Madge acerca do seu papel
de ícone inspirador de um segmento musical que se entrelaça a sua carreira e
vida como um instrumento de massa único.

Começando pelos erros, as participações de Maluma no trabalho, incluindo o carro chefe Medellin, são definitivamente desnecessárias. O colombiano canta em todas as vezes em que aparece, com a empolgação de um poste, soando entediado e monotônico. Conseguimos entender a intenção de uma artista que sempre reverenciou a cultura latina, principalmente de ascendência hispânica em seus trabalhos, em chamar um dos artistas de maior sucesso na atualidade nesse nicho para o disco. Mas se fosse a Madonna esperta e aguçada de outros tempos, o nome a ser adicionado as parcerias seria o da catalã Rosalía, além de um frescor à discografia de Madge, seria uma tacada de mestra. Uma Pena.

Outro ponto negativo do trabalho é a disposição
esquizofrênica das faixas, um disco duplo dividindo os atos seria extremamente bem-vindo
trazendo coerência a obra e deixando tudo mais fluido. Dessa forma podemos analisar
duas facetas do trabalho; a político social e a descontraída.

A face política e social do disco é como o esperado;
desconfortável, visceral em alguns pontos, forte e de muita coragem, em um
mundo contemporâneo cada vez mais polarizado. O incomodo aqui vem justamente
das mensagens que podem melindrar os mais desatentos, para os fãs é o momento
de glória da obra.

Nesse segmento temos o costumaz apelo feminista de Madonna e
sua mensagem pela igualdade de gêneros além da luta pela classe LGBT+. É
passada também uma pincelada sobre o racismo e xenofobia, sem, no entanto, a
artista tomar qualquer protagonismo e soar a branca salvadora dos oprimidos.

Killers Who Are Partying, composta em uma espécie de
fado contemporâneo em lamentos, tem uma mensagem direta sobre realidade e
empatia.  A letra predominantemente em
inglês e com trechos do refrão em português, é uma reflexão da sociedade
anacrônica contemporânea.

Batuka possui, como o nome sugere, um poderoso
trabalho de percussão, além de cantos que ecoam uma atmosfera tribal. Apenas o
autotune pesa um pouco.

Trabalhando com Madonna nos discos Music (2000), American
Life (2003) e Confessions on a Dance Floor (2005), o francês Mirwais Ahmadzaï,
assina a co composição das faixas Dark Ballet, God Control, Batuka, Killers
Who Are Partying e I Don’t Search I Find
. E fica evidente os flashs que referenciam
os trabalhos do compositor em outras obras dele na discografia da Material Girl.

Dark Ballet é um pop barroco desconcertante e definitivamente
ousado, não significante, no entanto que o passo tenha valido a pena, sobra
barroco, falta pop…

O debate sobre o controle de posse e porte de armas de fogo
tem sido acalorado ao redor do globo, sendo uma das principais pautas de
segurança pública no século XXI até então. E nesse contexto, os constantes
tiroteios em escolas, locais públicos e até em casas noturnas, como a Pulse,
balada LGBT palco de um atentado em 2016 na cidade de Orlando na Florida, são
tratados de forma direta e sem eufemismos em God Control.

Cantada em seus primeiros versos por trás dos dentes, a faixa flerta com a música gospel e desemboca numa Disco contemporânea deliciosa, evocando as investidas da rainha do pop nesse segmento como em Deeper and Deeper do Erotica (1992). É o melhor single de Madonna desde Hung Up. God Control seria um carro chefe muito mais coerente que Medellin. #choices

Crave balada em estilo emo trap, parceria com o queridinho do momento Swae Lee, também é um ponto alto no disco, juntamente com outra parceria, Future com Quavo, em ambas Madonna desfila confortável, nada comparado as parcerias sofridas dessa década nos albums MDNA (2012) e Rebel Heart (2015), salvo exceções.

Ainda no que tange parcerias, Anitta participa da inspirada Faz
Gostoso
, com uma pegada de funk brasileiro e cantada principalmente em português
do Brasil, auge da credibilidade cultural e o potencial que nossos artistas têm
em produzir conteúdo a nível global no que tange produção musical. Mesmo a
faixa original ter sido composta por lusitanos, a influência do pop brasileiro contemporâneo
é inegável.

Madame X emerge como um trabalho que pode não agradar a
todos, mas definitivamente vai fazer você sentir alguma coisa, nem que seja
repulsa. Dentro do atual contexto musical tão carente de algo realmente inovador
em se tratando de pop, talvez traga alguns momentos inspiradores. Dentro do
contexto de Madonna nessa década, é um virar de página e um convite a sua
idealizadora em olhar mais para si mesma e encontrar o fogo criativo que jamais
deveria ser subestimado.

Nota 8,5 / 10

Para Ouvir;

God Control

Future feat Quavo

Batuka

Crave feat. Swae Lee

Crazy

Faz Gostoso feat Anitta

I Don’t Search I Find

I Rise

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Avril Lavigne – Head Above Water; Com o Coração Submerso em Águas Negras, Avril nos Mostra seu Mundo Pós Lyme

Avril Ramona Lavigne foi sem dúvidas um dos rostos mais
emblemáticos a surgirem no longínquo ano de 2002. Arrastando milhões de fãs ao
redor do mundo, a até então anti Britney, vendia e colecionava records tanto
quanto sua ‘’antagonista’’.

Os anos se passaram, as rixas midiáticas ficaram para trás,
assim como o frescor efêmero da indústria, que alça popstars ao topo a cada
segundo, enquanto outros são levados ao quarto escuro do ostracismo com a mesma
velocidade. Entre teorias de conspiraçõa e trabalhos cada vez mais medianos,
com Head Above Water, como o título já entrega, Avril tenta apenas
sobreviver.

Sem o frescor de Let Go! de 2002 ou a profundidade de
Under My Skin
de 2004, a artista de 2019 tenta processar em seu trabalho os
anos difíceis que atravessou enfrentando a doença de Lyme, que quase ceifou a
sua vida. Nesse cenário caótico Avril Lavigne tem muito a dizer sobre si mesma,
sobrevivência e liberdade. A contenção, no entanto, e a insistência de ficar na
superfície nos deixa no mínimo desapontados.

A faixa título abre o disco já mandando a real sobre os
momentos mais escuros enfrentados por Lavigne até então, em forma de prece a
canção pode figurar facilmente entre as mais sinceras e honestas de sua
carreira. Numa pegada marcante flertando mais com as grandes baladas hard rock
do que com o pop punk.

Birdie nos brinda com um vislumbre da capacidade de
compositora da canadense. Metafórica, calculada e bem arranjada, é de longe a
melhor faixa do disco, as batidas melancólicas aliada ao um canto frágil, mas
determinado, dão dramaticidade a peça.

Em I Fell in Love With The Devil o bom ritmo de
faixas continua, com uma letra aqui um pouco mais óbvia, porem que se relaciona
bem com o que foi apresentado até então, uma Avril ciente de seu passado e sem
medo de pôr às claras as águas passadas.

Muito se tenta emular o estilo charmoso da velha Motown,
gravadora icônica de R&B do século XX, sem, no entanto, chegar próximo ao
impacto daquele estilo. Tem se alguns êxitos pontuais, mas nada que se possa
por como regra. Em Tell Me its Over a canadense tenta, acerta as notas,
mas falta o swing característico. Vale ponto pela ousadia.

Falando em ousadia, Dumb Blonde é uma prova de coragem
para qualquer artista que se submeta a produzir e pior, mostrar para alguém trabalho
tão parco, para dizer o mínimo.

A faixa não faz nada de bom pela narrativa belamente construída
até aqui. Como ponto de ruptura com um parceiro algoz e autoafirmação, a faixa
peca em falta de raiva e força. Energia há de sobra, mas muito mal direcionada.
Nicki Minaj some em meio a produção e o que poderia ser um trabalho
interessante se torna apenas irritante.

Voltando um pouco o disco par os trilhos It Was in Me,
retoma a boa narrativa iniciada e quebrada pela audição do inferno apresentada
em Dumb Blond. It Was In Me funciona como um amadurecimento natural as questões
levantadas em How Does It Feel? do disco Under My Skin de 2004.

Souvenir e Crush tiram um pouco o foco auto analítico
e tangem mais o interesse em um parceiro amoroso, boas faixas para um sábado a
tarde de sol tocando em alguma loja de departamentos, nada mais.

O disco segue pelas próximas faixas alterando entre o medíocre,
o aceitável e o dispensável. Até chegar em sua finalização com Warrior.
A faixa é uma balada que complementa a ideia da primeira música do álbum. Mas
aqui Avril não pede por proteção divina, ela se levanta e ela mesma vai enfrentar
o dragão metafórico que representa a doença de Lyme. Um fechamento decente para
um disco que alterna do bom para o ruim com muita facilidade.

Avril segue por caminhos duvidosos em Head Above Water,
entre escolha da capa do disco e algumas faixas dispensáveis, ela apresenta um
pouco o inferno que sofreu durante os anos reclusa lambendo suas feridas, aqui
literais, sem saber se haveria um novo amanhecer.

Nesse caso o sol surgiu no horizonte e Avril nos manteve apenas
na superfície, não nos contando exatamente o que vive nas águas profundas de sua
dor. Talvez tenha sido intencional o desbaratinamento do publico quanto a essas
questões ou talvez tenha sido isso mesmo. Eu quero acreditar que há um monstro do
lago escondido no fundo desse lago e que ela o tenha feito como amigo e os artifícios
lançados mão sejam para nos distrair e proteger esse monstro até que ela mesma possa
entendê-lo bem.

Nota 6,5/10

Para Ouvir;

Head Above Water

Birdie

I Fell In Love With The Devil

It Was In Me

Warrior

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Ariana Grande – Thank u, Next; Artista Coloca os Pés No Chão e Entrega Verdade

Depois de uma turbulenta fase na vida pessoal, acompanhada
de perto pelo público através da mídia e de um disco que gerou muita
controvérsia no sentido de ame ou odeie, Ariana Grande retorna ao holofote
musical mais forte e madura, e entrega seu novo disco Thank u Next.

Se distanciando dos produtores de seu disco anterior,
principalmente Pharrel Willians, Grande se joga num universo de sons mais
coesos que seu antecessor e traz uma atmosfera mais confessional e fria. O tom
aqui é tão noite que em certos pontos chega a tangenciar o fantasmagórico, mas
sem deixar aquela pequena luz de fundo, como a luz do corredor que atravessa
uma porta entre aberta que alguns de nós estamos acostumados deixar ao ir
dormir.

Ariana abre os trabalhos com o que tem de melhor; sua voz. A
lúdica e sonhadora Imagine, passeia por corredores vocais texturizados com
whistles e sussurros, evidenciando as pirotecnias de uma voz bem treinada.

Needy é talvez uma das faixas mais sinceras e vulneráveis da
carreira de Grande. A honestidade auto analítica implícita nos versos, desenha
um quadro confessional onde podemos tanto observar como espectadores, como nos
identificarmos com as percepções aqui apresentadas.

A repetitiva NASA apesar de trazer um pouco mais de sabor a
obra, fica aquém do resto do trabalho.

Bloodline é um dos grandes êxitos do disco e da própria discografia
da americana, trazendo trompetes e arranjos eletrônicos, aliados a um letra
afiada e um pezinho de salsa, tem tudo para ser uma daquelas promessas de
single que no fim das contas ficam só na vontade. (olá Greedy, temos visitas
rs)

Wendy Rene foi uma grande vocalista dos anos 60, sem, no
entanto, ter              tido sucesso
comercial equivalente a suas colegas contemporâneas, como Dionne Warwick, ou
mesmo Aretha Franklin. De toda forma sua After Laughter Comes Tears, é o
snippet que abre a faixa Fake Smile, onde seu sample também se faz presente.

O tom nostálgico aliado a uma produção contemporânea e a
letra composta a oito mãos, trazem uma certa contemplação quanto ao
contentamento e a solidão em estar sob as luzes dos holofotes.

Bad Idea é sexy, descompromissada e divertida e mesmo assim
não distância em nenhum centímetro da proposta mais seria apresentada até aqui.
Produto pop de qualidade em uma produção caprichadíssima. 

Make up não faz nada de bom pelo disco poderia
tranquilamente ser descartada do corte final.

Um medo muito forte de algo pode paralisar e arrepiar, assim
como algo belo pode ter o mesmo efeito, e é o que acontece em ghostin, a faixa literalmente
fantasmagórica do trabalho.  Tudo aqui é
trabalhado para inebriar e mergulhar o ouvinte num universo etéreo, um lago
escuro e neblinoso de sentimentos e incertezas. Imogen Heap, ao qual foi
homenageada pelo cover de uma de suas músicas em Sweetner, é mestra em
arquitetar esse tipo de som e Vitoria Monet, colaboradora e backing vocal, ao
fundo emula a voz única de Heap, dando mais uma dica que a faixa foi
propositalmente inspirada pela inglesa. Menina Ariana está de parabéns.

Êxito melódico e vocal, In my Head abre o último ato do
disco, trazendo uma produção mais próxima dos singles lançados previamente.
Destacando aqui o refrão harmônico, simplesmente magnético.

Falando em singles, 7 Rings que dominou os charts ao redor
do globo na primeira metade de 2019 é sem dúvidas o maior sucesso da carreira
de Ariana. Baseada na música My Favourite Things de Julie Andrews para Noviça
Rebelde, apesar do enorme sucesso, a produção empoderada fica na zona da
superficialidade, o que é uma pena, já que as intenções eram as melhores. Mas
um hit é um hit.

Descobrimos a pegadinha na ordem do disco quando encaramos a
faixa título e também um dos hits da nova era da artista, Thank u, next, posto
como penúltima faixa, sendo a capa do disco de cabeça para baixo e as faixas
extraídas como single sendo postas ao final do trabalho, podemos deduzir que
talvez, apenas talvez, devêssemos consumir o álbum dessa forma.

E falando em Thank u, next, temos aqui um dos clássicos da
década, podendo se juntar definitivamente as playlists saudosistas que serão
criadas em ode aos anos 2010’s.

Quando uma canção pode passar pelo crivo da simples audição
descompromissada e avança pelos territórios da interpretação das entrelinhas,
ela pode se tornar um objeto interessante de esmiuçamento. Breakup with your
girlfriend, i’m bored, pode ser lida tanto como uma investida sobre um garoto
comprometido, quanto sobre uma alfinetada numa imprensa que não vê a hora de
certos relacionamentos entre celebridades chegar ao fim para que se explodam os
tabloides com polemicas e linhas e mais linhas de fofocas e detalhes íntimos do
casal. Ariana Grande se viu em meio a esse turbilhão e conseguiu monetizar, não
como uma Taylor Swift, mas de sua própria forma a seguir em frente e não dar a
imprensa marrom um gostinho de barracos e sortes de baixarias.

Sweetner foi como um sonho, com alegorias e caminhos as vezes
contraditórios, mas no fim era apenas sonho. Thank u, next é acordar desse
sonho, são os primeiros minutos antes do amanhecer, deitado na cama e tentado
se lembrar e se recuperar de uma noite de sono turbulenta.

Ariana não fez seu trabalho sozinha, como qualquer popstar
global, como Rihanna e Beyoncé, tem a sua disposição um contingente criativo
imenso, mas conseguir dar sua identidade e falar de suas magoas
confessionalmente, mesmo estando cercada de tanta gente, é um mérito a se
exaltar.

Nota; 8,5/10

Para Ouvir;

Imagine

Bloodline

Fake Smile

Bad Idea

Ghostin

Thank, u Next

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NOVA ERA! TAYLOR SWIFT LANÇA SEU NOVO SINGLE; ME!

Depois de uma aguardada contagem regressiva em suas redes sociais, Taylor Swift deixa a era reputation no passado e inicia sua nova jornada musical.

ME! é o primeiro single do novo trabalho ainda a ser divulgado, a musica tem parceria com Brendon Urie da banda Panic! at the Disco!.

O single já chegou com video, confira ME!;

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SAIU! Madonna Lança seu Novo single Medelin com Maluma

Foi lançado nessa quarta feira 17/04 o novo single de Madonna, Medelin.
A faixa é parceria com o colombiano Maluma e deve fazer parte do novo disco da rainha do pop, titulado Madame X a ser lançado ainda em Abril.

Confira Medelin;

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Saiu! A Parceria de Katy Perry e Zedd Finalmente Está Entre Nós, Com Direito a Clipe Bem Black Mirror!

Depois de ter vazado a versão demo há algumas semanas, a faixa 365, parceria de Zedd e Katy Perry, foi disponibilizada oficialmente na madrugada dessa quinta 14/02.

A faixa chegou acompanhada de um vídeo pra lá de futurista. A era Black Mirror chega para todas!

 

Confira 365;

 

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Ariana Grande Está On Fire! A Artista Agitou a Sexta e Lançou Clipe e Disco De Uma Vez Só!

Ariana Grande vem colhendo os frutos de sua boa fase na carreira nos últimos meses.

Depois do sucesso estrondoso do single Thank u, next e de 7 Rings, a americana acaba de lançar mais um single; Break Up With Your Girlfriend, I’m Bored. A faixa é acompanhada claro de um provocante vídeo.

A cantora lançou também seu mais novo álbum de estúdio, Thank u, next. Que tem previsão de debutar no topo da tabela de discos da Billboard. Resenha saí ainda nesse fim de semana.

 

Confira Break Up With Your Girlfriend, I’m Bored;

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