TAYLOR SWIFT – LOVER; TAYLOR ABANDONA A ESCURIDÃO E ABRAÇA O AMANHECER EM LOVER.

“Combat, I’m ready for combat” assim Taylor Swift abre uma das faixas, The Archer, do seu novo trabalho, Lover. E se tem uma coisa que Swift se aperfeiçoou em seus 13 anos de carreira, aliás número emblemático para a estrela, é justamente em combates. Namorados, celebridades, amigos, família, imprensa e opinião pública. Todos já lançaram suas pedras ao menos uma vez em Taylor e aguardávamos ansiosos pela resposta em seu próximo disco. Com as pedras servindo de metáfora para os inúmeros feudos criados ao longo dos anos, ela criou seu legado. Ressurgindo toda vez mais forte do que nunca e rendendo o mundo com recordes, hits, milhões de copias vendidas, prêmios, aclamação da crítica e do público.

Ciente de sua influência que extrapola os limites da arte, Taylor Swift dessa vez muda um pouco a direção de algumas músicas, saindo um tanto do clássico coração partido e problemas com relacionamentos, para se dirigir a rumos mais coletivos e lançar sobre eles uma perspectiva de dentro em alguns assuntos como cidadania e feminismo. E empática em outros, como causas identitárias, LGBT’s e discurso ódio em geral.

As problemáticas sentimentais ainda são presentes no
trabalho, mas de forma muito mais leve e com um approach mais maduro e seguro. Não
implicando na perda de qualidade na composição lírica. Essa característica continua
sendo o ponto forte da americana, o pecado de Lover está mais na presença pela
terceira vez consecutiva de Jack Antonoff no trabalho, que as vezes pesa um
pouco demais a mão na produção. A química dos dois em estúdio é inegável e
trouxe resultados excelentes no grammiado 1989 de 2014 e no reputation de 2017.
E como já dizia o ditado, em time que se está ganhando não se mexe, porem seria
bom uma mudança de time para que inclusive Taylor possa se permitir a errar.

O relacionamento de Taylor com o ator britânico Joe Alwyn
teve um início conturbado, principalmente devido a necessidade de o casal manter
tudo em sigilo da mídia para tentarem ao menos ter uma chance de viver o
romance sem a pressão cotidiana da imprensa. Na era reputation de 2017,
conseguimos saber como se deu em parte essa narrativa a lá Bonnie e Clyde. E na
faixa Cruel Summer temos mais um ângulo; “Eu não quero guardar segredos apenas para manter
você.” – ” E eu gritei por qualquer coisa que valesse a pena Eu te
amo, essa não é a pior coisa que você já ouviu? Ele olha para cima, sorrindo
como um demônio.”

Lover é absolutamente um disco de amor, que encontra meios
de falar nos intervalos de outros temas também caros a sua idealizadora, o que
pode ser lido como amor próprio também. Em um desses momentos temos a ótima The
Man.

‘’ Eles
diriam que eu me esforcei, foquei no trabalho. Eles não iriam balançar a cabeça
e questionar o quanto eu mereço isso. O que eu estava vestindo, se eu fui rude.
Poderia ser separado das minhas boas ideias e dos meus atos de poder.’’

É ótimo ver a artista novamente versando sobre sua experiencia
em ser anulada por comentários misóginos e machistas que tentam a todo momento
diminuir seu trabalho. Quando temos Ed Sheeran fazendo o mesmo estilo de música
e lotando turnês e sequer tendo seu talento a prova, apenas por ser homem.  The Man também tem seus méritos por ser um hit
espontâneo e de fácil assimilação radiofônica.

Ainda na linha político social, Miss Americana & Heartbreak
Prince, dialoga sobre a posição do cidadão americano que ama seu país e seus símbolos
porem se vê atualmente em uma posição difícil diante o mundo, devido a seus
inaptos governantes. Nisso desemboca uma profunda análise interna do sentido do
ser americano no século XXI.

You Need to Calm Down parece ser uma continuação natural dos
hits Blank Space do 1989 e da atômica Look What You Made Me Do do reputation. Aqui
não mais irônica ou com raiva como nos anteriores e sim totalmente no controle
da situação e utilizando do deboche para lidar com as fortes opiniões que seus pretensos
críticos tem sobre si e estendendo isso como um hino as minorias marginalizadas
pelos mesmos haters que se sentem confortáveis em proferir seu ódio atrás de uma
tela de computador ou celular.

Lover a faixa que dá título ao trabalho, é um bom exemplo de
uma direção que o trabalho pode seguir mesmo com as mãos de Antonoff já tão
marcadas na discografia de Swift. Trazendo uma produção mais intimista com um
belo conjunto de cordas e percussão se destaca pelos vocais mais bem dirigidos.
A letra, uma declaração de amor que ainda vai tocar em muitos e muitos
casamentos de millenials nos próximos anos.

Taylor tem uma relação muito próxima com sua família, em
especial com sua mãe Andrea, a qual inspirou a canção Best Day do Fearless de
2008. Diagnosticada com câncer, Andrea enfrenta a doença longe dos holofotes e
em Soon You’ll Get Better, parceria com as Dixie Chicks, temos uma visão mais próxima
das incertezas de alguém cujo um ente querido enfrenta tão assustadora doença.

“Pessoas
desesperadas encontram fé, então agora eu oro pra Jesus também”  – “Eu vou pintar a cozinha de neon, vou
iluminar o céu, eu sei que nunca vou entender, não há um dia em que eu não
tente” – “E eu odeio fazer tudo girar em torno de mim, mas com quem devo falar?
O que eu devo fazer se não houver você?”

Apesar do teor de sofrimento, não podemos deixar de nos encantar
com a breve revisitada de Taylor Swift ao country, e em como ela não perdeu a
mão do gênero que a consagrou.

A modelo Karlie Kross era integrante fixa do famigerado
squad de Taylor Swift. As duas vivam para cima e para baixo rodando a cidade de
Nova Iorque inseparáveis. Ate que algo aconteceu e as duas pararam de serem
vistas juntas, Karlie mora na Cornelia Street em West Village em Manhattan.

“E, amor,
eu fico perplexa com a forma como esta cidade grita seu nome, e amor, estou tão
apavorada com a ideia de você ir embora, eu nunca mais andaria na Rua Cornélia.”
 
Trecho da faixa Cornelia Street,
façam as contas.                

Muito se fala da capacidade de Taylor Swift em se portar
como vitima em seus trabalhos, verdade ou não, em Daylight, faixa de
encerramento do trabalho, Taylor traz uma honesta percepção de si mesma e seus
relacionamentos, assumindo o papel de algoz em alguns momentos e referenciando
os combates já mencionados no inicio desse texto.

“Talvez eu
tenha saído enfurecida de todas as salas desta cidade. Jogamos fora nossas
capas e adagas porque agora já é manhã. Está mais claro agora”

Numa postura mais conciliatória com seus próprios demônios,
Taylor se mostra aberta a reflexão e a necessidade de amadurecimento e fecha a
obra com um dos melhores versos que ela já escreveu;

“Eu quero
ser definida pelas coisas que eu amo, não as coisas que odeio. Não as coisas da
qual tenho medo. Não as coisas que me assombram no meio da noite, eu só acho
que você é o que você ama.”

Com um ritmo de faixas rápido, com a maioria não passando
dos três minutos, ainda sim implica de uma audição um pouco difícil, fazendo os
60 minutos do disco parecerem longos, cansando o ouvinte, uma boa editada no corte
final minimizaria esse efeito que passa depois de algumas audições.

Lover repete a fórmula de sucesso Swift nas letras e Antonoff
na produção, com algumas colaborações pontuais. Liricamente impressiona em
alguns aspectos e em outros retrocede, a intragável ME! como maior exemplo. Mas
basicamente é um avanço sim na carreira da americana. Comparado ao nublado e
noturno álbum anterior, é como aquela nevoa no final da madrugada que aos poucos
se dissipa com as primeiras luzes solares e onde é finalmente possível ver um
pedacinho da estrada.  

Nota 9,5 / 10

Para ouvir

Cruel Summer

Lover

The Man

The Archer

Miss Americana & Heartbreak Prince

Cornelia Street

Soon You’ll Get Better feat. Dixie Chicks

False God

Afterglow

Daylight

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SAIU! Madonna Lança seu Novo single Medelin com Maluma

Foi lançado nessa quarta feira 17/04 o novo single de Madonna, Medelin.
A faixa é parceria com o colombiano Maluma e deve fazer parte do novo disco da rainha do pop, titulado Madame X a ser lançado ainda em Abril.

Confira Medelin;

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Saiu! A Parceria de Katy Perry e Zedd Finalmente Está Entre Nós, Com Direito a Clipe Bem Black Mirror!

Depois de ter vazado a versão demo há algumas semanas, a faixa 365, parceria de Zedd e Katy Perry, foi disponibilizada oficialmente na madrugada dessa quinta 14/02.

A faixa chegou acompanhada de um vídeo pra lá de futurista. A era Black Mirror chega para todas!

 

Confira 365;

 

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Ariana Grande Não Está Para Brincadeira! Confira 7 Rings o seu Novo Single/Video;

Após o grande sucesso de Thank u, Next de 2018, Ariana volta com mais um single que promete dar continuidade a boa fase da cantora nos charts.

A faixa 7 Rings chega acompanhada de um clipe todo trabalhando no neon rosa.

O próximo disco da artista, titulado de Thank u, Next,  deve chegar em meados de fevereiro próximo.

Confira;

 

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Ashley Tisdale – Voices In My Head; A Ex Sharpay de High School Musical Retorna com Single Pop

Ashley Tisdale despontou como a vilã da serie teen, High School Musical, depois de fazer moderado sucesso com seus dois álbuns solo, o ultimo deles o Guilty Pleasure de 2009, retorna com um novo projeto, titulado Voices in My Head.

 

O novo álbum da artista, Symptoms, está previsto para ser lançado até o fim do ano.

Confira Voices in My Head

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Ariana Grande – Breathin; Ariana se Despede da curta e Tumultuada Era Sweetener

Já está entre nós o aguardado vídeo de Breathin’ de Ariana Grande. A faixa é retirada do ultimo disco da artista, Sweetener, lançado há cerca de dois meses.

Ariana já está de projeto novo em vista, Thank U, Next seu novo disco, está para ser lançado a qualquer momento e a faixa que dá titulo ao trabalho está prevista para debutar na posição numero um na parada mais importante do planeta, a Billboard Hot 100.

Enquanto o disco novo não sai, confira o vídeo lúdico de Breathin’

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Ariana Grande – Thank u, Next; A Estrela Pop Surpreende ao Lançar Novo Single Direcionado aos Seus Exs

Ariana Grande pegou a internet de surpresa no ultimo fim de semana ao lançar seu novo single, Thank u, Next, faixa inédita e carro chefe do novo disco da cantora que deverá ter o mesmo titulo da canção, a ser lançado em janeiro de 2019.

A faixa fala sobre os ensinamentos que os seus relacionamentos anteriores trouxeram, além de agradecer e se despedir dos seus ex namorados através da canção.

Ariana lançou recentemente seu disco Sweetener, ao qual deve render uma turnê no primeiro trimestre de 2019. O disco teve recepção morna do público e um pouco mais calorosa da critica especializada. No entanto, devido a problemas pessoais como esgotamento e o fim do relacionamento da americana com o comediante Pete Davidson, levaram a artista a pausar a divulgação do disco e se concentrar na confecção de um novo material.

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Robyn – Honey; A Bussola Pop Mais Calibrada do Que Nunca

Body Talk de 2010 foi um divisor de águas nessa década, foi o trabalho que deu projeção mundial a musicista sueca Robin Miriam Carlsson, ou simplesmente Robyn. No mercado desde os anos 90, foi com esse disco que a artista trouxe para o universo pop uma paleta de sons que deram o direcionamento de trabalhos de sucesso na primeira metade dos anos 2010. Produtores como Shellback, Max Martin entre outros midas da música comercial, assinando as produções de Lorde, Katy Perry, Ellie Goulding e Taylor Swift transferiram muito da genialidade desse disco que é um marco na música dance / pop.

Eis que oito anos depois a sueca lança seu aguardado mais novo trabalho, titulado Honey e apesar de inicialmente mais curto que Body Talk, traz uma nova visão e aproximação a sua arte. São nove faixas que rendem uma audição rica e cheia de detalhes a serem degustados.

O disco abre com Missing U, uma delicada faixa que lembra um pouco de seus trabalhos anteriores, porém traz uma Robyn mais madura e mais sensível.  A faixa fala de um amor que se foi e toda a sorte de tentativas de análises sobre o que representou esses sentimentos para ambos. Já aqui temos o fio condutor de todo o trabalho que é a mais pura melancolia e quem melhor que Robyn para nos fazer dançar e chorar ao mesmo tempo e de forma maravilhosa?

A jovem Zhala divide com Robyn a faixa Human Being, um soft dance com uma pitada deliciosa de Prince. Afinal, nada melhor que celebrar a humanidade do que dançando.

Robyn evoca uma moderna disco com uma pegada Funk com toques orientais em Because It’s Music, que surpreendentemente nos leva aos anos 90 como num sonho lúdico.  A produção é um primor, assumem com a artista os suecos Klas Anlund que já trabalhou com Katy Perry em Prism e Joseph Mount.

Baby Forgive Me e Send To Robin Immediately são duas canções que se fundem e tem um fio logico tanto musicalmente quanto narrativamente. A transição lírica e em quesito de construção sonora é um dos pontos altos do disco.

Honey que dá titulo ao trabalho foi oferecida a Lena Dunham, escritora e uma das protagonistas do seriado Girls da HBO, como um pedido da própria Lena depois de ter inserido Dancing on My Own de Robyn em um dos episódios da série. Honey na época não estava finalizada, mas como um sinal de agradecimento a artista, que é grande fã da série, decidiu finalizar mais rapidamente e mandar para ser inserida na temporada final de Girls.

A música tem uma conotação sexual delicada e quebra um pouco do ar lamentoso das faixas anteriores com um pop mais solar.

Um lounge eletro tropical do fim dos anos 90 é o que é servido em Between The Lines, o clima de flerte avança com as batidas luxuosas da faixa.

Em Beach2k20 o clima de veraneio high tech cheio de sintetizadores traz a paixão da artista pelo samba. Claro que aqui o samba não seria cheio de texturas orgânicas como conhecemos e sim com uma desconstrução calcada na tecnologia e no entendimento de estruturas sonoras que dão aquele ar incrível de vintage futurista. Um laboratório sonoro completo e feito para ser apreciado.

Ever Again encerra a obra da forma que deveria ser encerrada, fazendo uma reflexão entre o que transcorreu ao longo do trabalho e o que o futuro aguarda.

A produção faz as pontes entre o inicio o meio e o fim de Honey funcionando como um perfeito ato de encerramento, mas que deixa aquela vontade de voltar ao inicio e começar a jornada novamente.

Robyn não se deixou intimidar pelo trabalho que tinha a frente, deixou de lado as firulas que a indústria da música faz com quem de repente, se vê como um dos guias das novas gerações de artistas. Algo inverso aconteceu com Sia, que desde que se tomou conhecimento de seu trabalho avassalador e rico, tem sido sugada ano após ano pela indústria. Robyn continuou trabalhando com o coração ao que construiu com suas mãos e com quase uma década de diferença de um disco para outro, algo que a Sade faz muito bem, conseguimos perceber que o amadurecimento foi avassalador e como um bom vinho a sueca continua num caminho de boa maturação trazendo sabores cada vez mais impares.  Segundo as palavras da própria; “Now I can see life the curve of life happening in a certain way. But because of that, I feel much freer as a person. // Agora eu posso ver a curva da vida acontecendo de uma certa forma. Mas por causa disso eu me sinto muito mais livre como pessoa.”

Nota; 10/10

Para Ouvir;

Missing U

Because It’s Music

Send To Robin Immediately

Honey

Beach2k20

Ever Again

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Pabllo Vittar – Não Para Não; Na Pressa, Pabllo Atropela quem Estiver na Frente, Inclusive sua Música

Na onda que surgiu em meados de 2015 e 2016, da exaltação das Drags Queens internacionais oriundas de RuPauls Drag Race, que lotavam as casas noturnas Brasil a fora com seus espetáculos musicais autorias. Uma leva de artistas LGBT’s começaram a despontar no cenário nacional e a maior expoente dessa leva, que tomou de assalto todos os meios midiáticos, é sem dúvida Pabllo Vittar. Inegável o impacto de Pabllo Vittar no cenário da música pop dessa década, tanto no Brasil como fora dele, sendo apadrinhada por nomes como Diplo do Major Lazer e Charli XCX.

E em meio a tanto Hype, Pabllo lança seu mais novo trabalho; Não Para Não. Se trata absolutamente de um disco brasileiro feito aos moldes do que se tem produzido nos inferninhos ao redor do país. O disco acerta em utilizar uma linguagem que transita bem entre diversos públicos, e para isso utiliza produções que vão do Funk ao brega, passando pelo Axé.

As colaborações também são um ponto forte nessa empreitada de abraçar o mundo e agradar todo o tipo ouvintes. A diversidade e a identidade com ritmos populares, principalmente do norte do país é o que mais se tem de interessante no trabalho, porém o lírico carece de sustância para fazer o disco parar em pé.

Com composições simples, as músicas se tornam risórias pelos motivos errados, a pobreza na construção das letras faz um poeta iniciante soar mais como um Pablo, Neruda do que Vittar.

Com mais tempo de bagagem e muito mais verba que em seu trabalho anterior, era de se esperar mais capricho nesse álbum, mas tudo parece ter sido feito às pressas, numa ânsia que tudo se acabe logo. Nenhuma música do curto disco, são dez faixas, passa dos três minutos.

Nunca se exigiu muito conteúdo em músicas feitas para rebolar e se jogar nas festas, porem para uma artista que quer se levar a sério e tem tomado para si as rédeas do pop nacional, era esperado um pouco mais de capricho no novo trabalho. Havia sido divulgado que o disco traria engajamento por causas sociais, porem se limita a péssima Ouro, parceria com Urias, que nem chega perto da maravilhosa e cheia de coração, Indestrutível, de seu álbum anterior, o Vai Passar Mal.

Falando em parceria, a química de Pabllo com o pagodeiro Dilsinho, rendeu a melhor música do trabalho, o que não é um mérito muito grande. Trago seu Amor de Volta tem uma pegada gostosa de Axé, com muito romantismo e bom humor, referenciando aquelas propagandas que vemos coladas em postes em todo Brasil.

Disk Me, atual single de Vittar, também tem seu brilho, mas é uma balada que fica bem aquém do apelo pop de K.O. por exemplo. Destaque para os bons vocais de Pabllo.

Não vou deitar é um gostoso forró com toques contemporâneos que contagia e faz referências as famigeradas “sofrências”, muito populares no nordeste e norte.

Evocando os vocais das grandes divas do euro dance dos anos 90, Seu Crime dá pistas que estamos diante de uma Pabllo de coração partido e que busca a redenção de um sentimento que não vingou.

Os pontos altos do disco sem duvidas são as produções, mixagens no ponto e trazendo uma variedade enorme de ritmos brasileiros e com uma linguagem pop bem-feita, que é eficiente em se comunicar com vários nichos sem perder a identidade. Os vocais de Pabllo também melhoraram bastante e soam mais brilhantes e um pouco menos incômodos.

O maior problema de Não Para Não, intencional ou não, é a velocidade em que somos devastados pelo disco, que atropela tudo pela frente e entrega freneticamente uma variedade imensa de coisas acontecendo ao mesmo tempo, como colocar todos os sabores de bala ao mesmo tempo na boca, não se consegue identificar ou aproveitar o sabor de nenhuma, e o saldo é amargo.

Como já dito, as letras têm bons sentidos, mas são mal escritas, passando um ar de preguiça dos compositores, e o brasil sendo berço de excelentes letristas, ficamos meio sem entender o motivo de tanta pobreza.

Não Para Não poderia ter sido melhor aproveitado se lançado naquele período do ano, entre as férias e o carnaval, com o sol a pino e o clima de descontração, com certeza seria uma tacada de mestre, e o álbum contribuiria e muito para esse período notório de alegria nacional. Porém lançar um disco descompromissado, vendido com uma capa de engajamento, as portas de eleições polemicas e sem conteúdo que faça jus a essa tal militância, é ligar um freezer no Alasca.

Nota; 4,0

Para Ouvir;

Seu Crime

Disk Me

Não Vou Deitar

Trago Seu Amor De Volta feat. Dilsinho

 

 

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Troye Sivan – Bloom; O Florescer do Futuro da Musica Pop

 

O jovem Troye Sivan fez um decente debut com Blue Neighbourhood de 2015 e é em seu novo trabalho, Bloom, que o sul africano radicado na Austrália, demonstra seu talento aqui lapidado e com novos espectros de luz e sombras.

Seventeen abre o trabalho versando sobre a habilidade juvenil de idealizar o amor e o choque de realidade. Se trata das aventuras românticas de Sivan quando era adolescente e buscava o amor em aplicativos de pegação. A faixa transita da atmosfera romântica a crueza dos relacionamentos com homens mais velhos, que estavam mais preocupados com uma boa noite de sexo do que com devaneios românticos pueris. A letra tem colaboração da queridinha do indie Allie X.

My! My! My! é o primeiro single do disco, se trata de uma bem construída e dançante faixa pop que explora mais uma vez o romance e idealizações amorosas, mas de forma bem mais divertida. Fala sobre abraçar e assumir um sentimento sem medo.

The Good Side diminui um pouco o a frequência dançante e traz uma balada bem comprometida, principalmente com a estética folk do fim dos anos 60. Troye mostra que está fazendo a sua lição de casa e explorando estilos interessantes dentro da musica pop.  O único problema aqui é a quantidade de gente para compor dois versos, uma ponte e um refrão; seis pessoas; Troye Sivan, Leland, Bram Inscore, Allie X, Ariel Rechtshaid & Jam City.

Oscar Holter assina a produção da faixa que dá titulo ao disco, a explosiva e provocante Bloom.

Musicalmente é um pop contemporâneo, o que significa que carrega uma tonelada de referências aos anos 80 e 90 além de um Q de indie neon. A faixa não faz feio em nenhuma festa e é cheia de energia do início ao fim. Liricamente temos aqui um tema pouco abordado no universo musical, a primeira noite de um garoto gay.  Tudo é construído com naturalidade, inteligência e sem clichês.

Falando de um cartão postal que nunca chegou ao destinatário, Troye e Gordi se unem em Postcard uma bonita e sensível balada.

Ariana Grande assume com Sivan o comando de Dance to This, fazendo uma ode aos festeiros que curtem se divertir em casa, de preferencia com uma boa companhia.

What a Heavenly Way to Die começa dar ao trabalho um gostinho de já ouvi isso antes e esse é o maior defeito de Bloom, a monotonia que se apodera da obra conforme se habitua com as músicas. De qualquer forma é uma balada mediana, que pode embalar tranquilamente um saguão de espera, um elevador ou mesmo um jantar romântico.

Lucky Strike é interessante pois traz Troye assumindo a composição com apenas um parceiro, Alex Hope, dando mais direcionamento a obra. Falando sobre como o amor é um golpe de sorte, somos imersos em uma boa produção também assinada por Hope.

Animal, uma balada sobre ânsias de um amor devastador que não mais pode ser contido, fecha o trabalho de forma decente. É uma profusão de hormônios, desejo e torpor juvenil. Saudosismo puro para quem já passou dessa fase e se lembra dos seus bons tempo e uma forma de comunicação precisa aos jovens que ainda se identificam com essa ferocidade.

Bloom fecha com 10 faixas em sua versão standard, uma ótima quantidade que não satura nem deixa faltar. O maior defeito do disco é a monotonia que pode assolar a produção depois de passada algumas músicas, a necessidade de tudo ter as mesmas graduações de cinza, do mais claro ao escuro, dá certo cabresto num trabalho que tinha tudo para borbulhar em cores e paisagens maravilhosas. O excesso de mãos em faixas não muito complexas em seu lirismo também atrapalha, faz perder justamente o ponto de maior interesse; o tom confessional de um jovem gay do século XXI.

Positivamente é um disco de seu tempo e com potencial de elevar Troye Sivan para outro nível e é sem duvidas uma evolução. Nos resta acompanhar o novo capítulo da efêmera atmosfera pop contemporânea.

Nota 7,5

Para Ouvir;

Seventeen

My! My! My

Good Side

Bloom

Lucky Strike

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