Madonna – Madame X; Entre Fados e Parcerias Dignas e Duvidosas Madonna Entrega Seu Melhor Disco Nessa Década.

Residindo já há alguns anos na improvável Portugal, Madonna
tem se habituado a quietude das comunidades quintanescas da terrinha. Bebendo
do melhor vinho do Porto, se deliciando com a culinária local e acima de tudo;
Absorvendo a riqueza cultural da península ibérica.

Portugal é um país que construiu sua identidade em parte com
a interação com outros povos, sendo outrora uma região de passagem entre o
desconhecido, representado pelo oceano atlântico e a civilização mediterrânea
européia e o norte da África já sob influência islâmica. Essa colcha de
retalhos deu origem a uma cultura multifacetada e única no contexto do velho
mundo.

Dito isso, é sabido que uma das melhores qualidades de
Madonna é justamente condensar uma ideia em torno de um conceito e entregar um
trabalho pop que exala sua idealizadora independente do trend escolhido. Como
vendedora de conceitos a americana é imbatível. O que tem faltado em seus
últimos trabalhos é justamente uma visão mais apurada e direcionada do material
a ser trabalhado e principalmente se antecipar às tendências. Madonna tem chego
tarde às festas, entregando músicas com produções já saturadas e datadas desde
Hard Candy de 2008.

Dentro desse cenário Madame X de 2019 aponta para uma
direção interessante, não sendo imaculado de erros, existem muitos, mas
recuperando os bons olhos e acima de tudo ouvidos de Madge acerca do seu papel
de ícone inspirador de um segmento musical que se entrelaça a sua carreira e
vida como um instrumento de massa único.

Começando pelos erros, as participações de Maluma no trabalho, incluindo o carro chefe Medellin, são definitivamente desnecessárias. O colombiano canta em todas as vezes em que aparece, com a empolgação de um poste, soando entediado e monotônico. Conseguimos entender a intenção de uma artista que sempre reverenciou a cultura latina, principalmente de ascendência hispânica em seus trabalhos, em chamar um dos artistas de maior sucesso na atualidade nesse nicho para o disco. Mas se fosse a Madonna esperta e aguçada de outros tempos, o nome a ser adicionado as parcerias seria o da catalã Rosalía, além de um frescor à discografia de Madge, seria uma tacada de mestra. Uma Pena.

Outro ponto negativo do trabalho é a disposição
esquizofrênica das faixas, um disco duplo dividindo os atos seria extremamente bem-vindo
trazendo coerência a obra e deixando tudo mais fluido. Dessa forma podemos analisar
duas facetas do trabalho; a político social e a descontraída.

A face política e social do disco é como o esperado;
desconfortável, visceral em alguns pontos, forte e de muita coragem, em um
mundo contemporâneo cada vez mais polarizado. O incomodo aqui vem justamente
das mensagens que podem melindrar os mais desatentos, para os fãs é o momento
de glória da obra.

Nesse segmento temos o costumaz apelo feminista de Madonna e
sua mensagem pela igualdade de gêneros além da luta pela classe LGBT+. É
passada também uma pincelada sobre o racismo e xenofobia, sem, no entanto, a
artista tomar qualquer protagonismo e soar a branca salvadora dos oprimidos.

Killers Who Are Partying, composta em uma espécie de
fado contemporâneo em lamentos, tem uma mensagem direta sobre realidade e
empatia.  A letra predominantemente em
inglês e com trechos do refrão em português, é uma reflexão da sociedade
anacrônica contemporânea.

Batuka possui, como o nome sugere, um poderoso
trabalho de percussão, além de cantos que ecoam uma atmosfera tribal. Apenas o
autotune pesa um pouco.

Trabalhando com Madonna nos discos Music (2000), American
Life (2003) e Confessions on a Dance Floor (2005), o francês Mirwais Ahmadzaï,
assina a co composição das faixas Dark Ballet, God Control, Batuka, Killers
Who Are Partying e I Don’t Search I Find
. E fica evidente os flashs que referenciam
os trabalhos do compositor em outras obras dele na discografia da Material Girl.

Dark Ballet é um pop barroco desconcertante e definitivamente
ousado, não significante, no entanto que o passo tenha valido a pena, sobra
barroco, falta pop…

O debate sobre o controle de posse e porte de armas de fogo
tem sido acalorado ao redor do globo, sendo uma das principais pautas de
segurança pública no século XXI até então. E nesse contexto, os constantes
tiroteios em escolas, locais públicos e até em casas noturnas, como a Pulse,
balada LGBT palco de um atentado em 2016 na cidade de Orlando na Florida, são
tratados de forma direta e sem eufemismos em God Control.

Cantada em seus primeiros versos por trás dos dentes, a faixa flerta com a música gospel e desemboca numa Disco contemporânea deliciosa, evocando as investidas da rainha do pop nesse segmento como em Deeper and Deeper do Erotica (1992). É o melhor single de Madonna desde Hung Up. God Control seria um carro chefe muito mais coerente que Medellin. #choices

Crave balada em estilo emo trap, parceria com o queridinho do momento Swae Lee, também é um ponto alto no disco, juntamente com outra parceria, Future com Quavo, em ambas Madonna desfila confortável, nada comparado as parcerias sofridas dessa década nos albums MDNA (2012) e Rebel Heart (2015), salvo exceções.

Ainda no que tange parcerias, Anitta participa da inspirada Faz
Gostoso
, com uma pegada de funk brasileiro e cantada principalmente em português
do Brasil, auge da credibilidade cultural e o potencial que nossos artistas têm
em produzir conteúdo a nível global no que tange produção musical. Mesmo a
faixa original ter sido composta por lusitanos, a influência do pop brasileiro contemporâneo
é inegável.

Madame X emerge como um trabalho que pode não agradar a
todos, mas definitivamente vai fazer você sentir alguma coisa, nem que seja
repulsa. Dentro do atual contexto musical tão carente de algo realmente inovador
em se tratando de pop, talvez traga alguns momentos inspiradores. Dentro do
contexto de Madonna nessa década, é um virar de página e um convite a sua
idealizadora em olhar mais para si mesma e encontrar o fogo criativo que jamais
deveria ser subestimado.

Nota 8,5 / 10

Para Ouvir;

God Control

Future feat Quavo

Batuka

Crave feat. Swae Lee

Crazy

Faz Gostoso feat Anitta

I Don’t Search I Find

I Rise

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SAIU! Madonna Lança seu Novo single Medelin com Maluma

Foi lançado nessa quarta feira 17/04 o novo single de Madonna, Medelin.
A faixa é parceria com o colombiano Maluma e deve fazer parte do novo disco da rainha do pop, titulado Madame X a ser lançado ainda em Abril.

Confira Medelin;

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VMA 2018; Camila Cabello se Consagra a Grande Vencedora, Numa Premiação Morna

Ontem, 20/08, foi realizada a edição de 2018 do Video Music Awards da MTV, o VMA.

Numa noite morna, tiveram destaques as performances de Shawn Mendes, Ariana Grande, Nicki Minaj e a grande homenageada da noite, Jennifer Lopez, que subiu ao palco para apresentar um mashup de seus maiores sucessos e receber o Michael Jackson Vanguard Award.

A grande vencedora da noite foi Camilla Cabello, que venceu as duas principais categorias; Artista do Ano e Video do Ano por Havana, este ultimo entregue por Madonna, que inclusive antes de apresentar Camila como vencedora, fez uma timida homenagem a Aretha Franklin.

 

Confira a lista completa de vencedores;

Clipe do ano

Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”

Artista do ano

Camila Cabello

Música do ano

Post Malone ft. 21 Savage – “rockstar”

Artista revelação

Cardi B

Melhor colaboração

Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B – “Dinero”

Melhor Pop

Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”

Melhor hip-hop

Nicki Minaj – “Chun-Li”

Melhor latino

J Balvin, Willy William – “Mi Gente”

Melhor dance

Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together”

Melhor rock

Imagine Dragons – “Whatever It Takes”

Melhor vídeo com mensagem

Childish Gambino – “This Is America”

Melhor fotografia

The Carters – “APES**T” – Benoit Debie

Melhor direção

Childish Gambino – “This Is America” – Hiro Murai

Melhor direção de arte

The Carters – “APES**T” – Jan Houlevigue

Melhores efeitos visuais

Kendrick Lamar & SZA – “All The Stars”

Melhor coreografia

Childish Gambino – “This Is America”

Melhor edição

N.E.R.D & Rihanna – “Lemon”

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Madonna – Ray Of Light; Revisitando Umas das Joias Mais Preciosas da Coroa da Rainha Do Pop

Vamos começar a partir de hoje uma nova sessão aqui no Pastilha, resenhas de albums que fizeram história e marcaram a cultura pop. E para iniciar os trabalhos, selecionamos uma das aniversariantes mais celebres do mês de agosto, Madonna, que faz 60 anos no próximo dia 16.

Se a Discografia de Madonna compusesse uma coroa, a ser posta acima da cabeça da própria, Ray Of Light de 1998 seria a joia central no diadema. Um diamante translúcido refletindo cores variadas dependendo da iluminação recebida, reinando soberano no centro da testa da rainha do pop.

No início da década de 90, Madonna chocava o mundo com seu livro SEX, seguido de um dos seus álbuns mais controversos, o Erotica de 1992. Depois de muita polêmica, a rainha do pop iniciou uma cruzada de limpeza de imagem e a busca por mais seriedade dentro do âmbito cultural. Era preciso mudar, e essa mudança culminou no álbum Ray Of Light, lançado em 1998 e mais uma vez Madonna sacudiu as estruturas do universo pop e da música.

A busca pela sinergia espiritual da americana apareceu previamente em trabalhos como Like a Prayer de 1989 e Bedtime Stories de 1994, porém aqui as coisas se tornaram bem mais sérias e pungentes. Bebendo da cabala e das religiões orientais, Ray of Light foi um divisor de águas dentro da carreira de Madonna, a Material Girl parece ter encontrado finalmente a paz, acompanhada da maternidade. Em 1996 nascia sua primeira filha, Lourdes Maria Ciccone Leon, conhecida também como Lola, fruto do seu namoro com o dançarino Carlos Leon.

Acompanhada do inglês William Orbit e seu fiel escudeiro desde os anos 80, Patrick Leonard, o sétimo disco de inéditas da artista flertava com o Techo, música eletrônica, trip hop, rock e música clássica.

O disco abre com a balada introspectiva Drowned World / Subistitute for Love, onde Madonna disserta sobre a fama, a maternidade e o amor verdadeiro. A faixa foi o terceiro single do disco e o ato de abertura da turnê conjunta com o disco Music de 2000, titulado Drowned World tour em 2001.

Os vocais da artista tiveram uma significativa mudança, trazendo uma voz mais limpa e cheia. Resultado do trabalho vocal no premiado musical cinematográfico Evita, onde Madonna interpretava a esposa do presidente argentino Carlos Perón.

Em Swin Madonna reflete sobre problemas sociais como a violência e ainda sobre a passagem do cometa Halley, além de fazer um contra ponto com a espiritualidade, um primor; “Children killing children. While the students rape their teachers, Comets fly across the sky, While the churches burn their preachers / Crianças matando crianças. Enquanto os estudantes violentam seus professores, os cometas cruzam o céu, enquanto as igrejas queimam seus pregadores”.

A faixa título do álbum, Ray of Light, entrega uma frenética atmosfera rock mixada com o melhor que a música eletrônica poderia oferecer nas mãos de Orbit, uma catarse completa para sua criadora e seus ouvintes. Madonna alcança em Ray of Light suas mais altas notas e um hit que definitivamente guiou os caminhos dos artistas pop que vieram depois. O segundo single do trabalho foi um sucesso radiofônico e conferiu a Madonna o VMA de vídeo do ano na premiação de 1998. Composta e co produzida pela sua intérprete, a canção é até hoje um ponto alto de suas turnês.

Candy Perfum Girl, é uma mostra que mesmo num período mais sério e comportado de sua carreira, a sensualidade ainda era latente, aqui co composta com Susannah Melvoin.

Até aqui Madonna o disco se mostra ousado, conceitual e flamejante. Porém é em Skin, a quinta faixa, que começamos a jornada verdadeiramente espiritual da obra.

Skin dialoga com o techno e dá um preludio do que se ouviria nas pistas de dança na desada seguinte, com Gigi Dagostinno e Lasgo por exemplo. A letra evoca uma conexão com o tema de vidas passadas, o que deixa tudo muito mais interessante, de longe uma das melhores músicas da carreira, principalmente por seu teor a frente do seu tempo.

Nothing Really Matters é uma das favoritas dos fãs e a canção escolhida para ser apresentada no Grammy de 1999 onde Madonna levou quatro gramafones para casa.

Seguindo a vibe espiritual, a faixa expurga alguns dos demônios mais característicos da artista, como o apego exacerbado ao materialismo. Se no início do disco já tenhamos o vislumbre do amadurecimento pessoal e profissional da rainha do pop, aqui deslumbramos com mais clareza.

Apaixonada pela Ioga, Madonna não pensou duas vezes ao interpretar dois escritos clássicos da modalidade, que se popularizou rapidamente no final dos anos 90. E Sky Fits Heaven é a transcrição em inglês de um mantra em sânscrito e hindu, feita por Madonna e Orbit. A faixa ainda faz uma ponte com Bedtime Story, escrita por Bjork, presente no disco Bedtime Stories de Madonna em 1994.

Shanti/Ashtangi, a oitava faixa do trabalho, também é um texto em sânscrito, aqui cantado em literalidade. Tratando se de uma mescla de mantras hindus, baseando se na visão ocidental da cabala.

O primeiro single do disco, Frozen, fez um enorme sucesso nas rádios a época de seu lançamento, colocando Madonna de volta ao jogo e deixando mídia e publico de boca aberta a nova incursão da americana, foi o primeiro relance ao que viria a seguir. Frozen foi vazada na internet dias antes do seu lançamento, causando grande polêmica na época, levando as gravadoras a discutirem esse tipo de conduta, quase inédito até então. Produzida por Madonna e William Orbit, a faixa foi aclamada pelos criticos e elevada ao status de obra prima. Seu video se tornou icônico dentro da videografia da cantora, por trazer vários efeitos eletrônicos que mesmo vinte anos depois, pouco envelheceram.

The Power of Goodbye é uma faixa que mescla o trip hop com a música eletrônica e foi sucesso absoluto nas rádios dance e adulto contemporâneo. Se tornando o quinto single do disco.

Mantendo a linha espiritual, To Have and Not To Hold, versa sobre os valores realmente necessários na vivencia humana, fazendo conexão a faixa Frozen. A sua produção conta com elementos explícitos da bossa nova, tanto na harmonização quanto na instrumentalização. Bossa nova com música eletrônica e evocações de mantra, que mistura sensacional.

Little Star é uma faixa maternal que encaminha a finalização do trabalho, mesclando elementos eletrônicos e música clássica.

Mer Girl é uma faixa intimista composta inteiramente por Madonna que fecha o disco de forma digna, trazendo um poema confessional que passa pelos caminhos tortuosos e metafóricos propostos durante toda a obra.I ran and I ran, I’m still running away/ Eu corri e corri, ainda estou correndo”.

Ray of Light é um marco no amadurecimento e mudança de rumo artístico da maior popstar da história. É incrível como ainda podemos considerar o trabalho contemporâneo e ver suas influências circulando do indie ao pop de forma fluida. Madonna não leva para si exclusividade nos temas orientais, longe disso, mas que é sua a responsabilidade quando artistas da nova safra como Katy Perry, Lady Gaga ou Ariana Grande o utilizam, isso é inegável. Longa vida a Ray of Light e que deus salve a rainha.

 

Para Ouvir

Drowned World / Substitute For Love

Swin

Ray Of Light

Skin

Nothing Really Matters

Sky Fits Heaven

Frozen

To Have And Not To Hold

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Janelle Monáe – Dirty Computer; Quente, Úmido e Cheio de Fantasias

Janelle sempre foi adepta dos ditos ‘álbuns conceito’, seja com seu ótimo álbum de estreia o The ArchAndroid de 2010 ou o roqueiro cheio de soul The Eletric Lady de 2013, a moça sempre passeou bem por bases e experimentações das mais diversas, fazendo um mix de voz e influências de encher os ouvidos.

Em Dirty Computer, seu mais recente trabalho, Monáe chega ao ápice dessas boas influências, colocando dance, hip hop, pop, rock, eletrônico e Prince numa atmosfera épica e religiosa, para executar uma crestomatia á sexualidade e a feminilidade.

A metálica Dirty Computer abre os trabalhos, já dando o tom noturno da obra e pincelando por cima o que vem por aí.

Crazy, Classic, Life traz forte os teclados, baterias e sintetizadores oitentistas e consagrados nessa geração que tem adoração por essa década.

Take a Byte tem um swing gostoso e uma deliciosamente atrevida letra, cheia de indiretas sexuais escondidas em analogias ao mundo cibernético.

Screwed traz um pouco de pop rock a mistura, com um refrão chiclete de primeira. Se fosse lançada em 87 seria um clássico instantâneo.

Django Jane deixa o tom um pouco mais serio e politizado com o disco abraçando o rap e o hip hop. A faixa aqui funciona como um belo manifesto a liberdade feminina.

Pynk se distancia um pouco do clima estabelecido no disco até aqui, trazendo uma linguagem mais radiofônica e nem por isso menos interessante.

O que acontece quando um artista quer homenagear seu ídolo colocando toda sua criatividade, calor, suor e talento para fora, numa faixa visceral e extraordinária?

O resultado pode ser ilustrado com Make Me Feel, uma homenagem a altura do imortal Prince. Seja pela letra extremamente sexy, pelos falsetes bem colocados ou pela produção que valoriza aquela guitarra safada e cheia de tesão, marca registrada do gênio.

I Got The Juice é uma faixa produzida e em parceria com Pharrel Williams, que acaba tomando muito para si o trabalho, e a deixando como uma das mais genéricas e menos interessantes da obra.

A sexy I Like That traz a sonoridade para os campos do hip hop e R&B novamente, seguida pela arrastada Don’t Judge Me.

So Afraid é uma boa balada confessional que vai dando o tom de despedida do disco, como uma reflexão no taxi após uma festa inebriante. As guitarras distorcidas e os coros dão um ar religioso a faixa. Coro aliás que inicia a última música do disco; Americans.

Seguindo a linha religiosa, a canção é uma crítica ao atual cenário político e social dos Estados Unidos.

“I like my woman in the kitchen, I teach my children superstitions, I keep my two guns on my blue nightstand. A pretty young thang, she can wash my clothes, But she’ll never ever wear my pants.” / “Eu gosto da minha mulher na cozinha, eu ensino superstições aos meus filhos, eu mantenho minhas duas armas na minha mesa de cabeceira azul. Uma mulher bem jovem, ela pode lavar minhas roupas, mas ela nunca vai usar minhas calças.”

Americans fecha muito bem o conceito político do álbum e amarra bem o conjunto da obra.

Janelle conseguiu entregar com dignidade o melhor trabalho de sua carreira até aqui, se mantendo fiel a sua estética sonora e sem medo de experimentar e ir além no seu desejo de se aperfeiçoar como artista. Ao mesmo tempo Dirty Computer é pop e de excelente digestão, sem necessariamente soar descartável e piegas. O último disco pop a oferecer essa dinâmica de conceito, referencias, pop e sem ser posto como um mero produto do mercado foi o Ray Of Light de Madonna de 1998.

Janelle não é uma nova Madonna, nem uma nova Tina Turner ou mesmo um novo Prince e agradecemos aos deuses da música por ela ser apenas Janelle.

 

 

Nota 9/10  

Para ouvir;

Crazy, Classic, Life

Take a Byte

Screwed feat. Zoe Kravitz

Make Me Feel

So Afraid

Americans

 

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O Que Esperar da Música em 2018?

Depois da ressaca de ano novo vem a pergunta; o que esperar de 2018 na musica?

Voltando no tempo podemos constatar que os oitavos anos das décadas são extremamente promissores criativamente e muito do que se produziu teve impacto massivo na década seguinte.
Vamos pegar produções de 1998 e 2008 como exemplo.

Em 98 tivemos;

O lançamento do Smash Hit …Baby One More Time da até então ex clube do Mickey, Britney Spears, que abriu um nicho sem precedentes de cantoras Teen e ali era só o começo.

Depois de 50 anos de carreira Cher lançaria aquele que seria o seu maior sucesso na historia, popularizando um recurso que seria usado a exaustão na próxima década; o Autotune ou efeito Cher na época. A canção Believe que explodiria mundialmente no ano seguinte foi lançada em 1998 e o resto é historia.

Falando em lendas, Madonna muito antes de Dua Lipa, ditava as novas regras da indústria, com seu eletrônico deliciosamente dançante e introspectivo; Ray Of Light, vencedor de 4 grammys em 1999, lançado em março de 1998. O disco mudou a forma de se fazer musica pop e abriu espaço para o famigerado conceitual.

Dentre as dezenas de gilrbands a se lançarem comercialmente embaladas pelo sucesso das Spice Girls, um grupo de três garotas no melhor estilo TLC começava a chamar atenção, eram nada mais que as Destiny Child onde a novata Beyoncé Knowles lider do grupo, já se destacava.

Falando em poder feminino, Lauryn Hill reinventaria a roda com o seu aclamadíssimo The Miseducation of Lauryn Hill, que revolucionou o R&B no final da década e influenciaria mais tarde desde Rihanna até Amy Winehouse e Adele.

No campo do Rock n Roll, ainda no auge do estilo alternativo, o Kiss retornaria com a formação original e com a maquiagem marca do grupo, depois de anos e o Aerosmith lançaria seu smash hit, I Don’t Want to Miss A Thing que dominou o planeta.

E não só de dinossauros vivia o Rock, o Queens of Stone Age debutava com o seu disco auto intitulado e uma banda do Arkansas, que explodiria na década seguinte vendendo milhões de cópias de seus discos, lançava seu tímido primeiro EP, o Evanescence.

Se 1998 foi um ano agitado para música 2008 não ficou atrás.
Há dez anos era lançado a plataforma de Streaming mais popular da atualidade, o Spotify.
Rihanna se consolidava como diva pop com seu disco Girl Gone Bad Reloaded, Katy Perry debutava seu single I Kissed The Girl e uma garota excêntrica de Nova Iorque lançava seu primeiro trabalho, The Fame que dominaria o mundo no ano seguinte; Lady Gaga.
Nem só de lançamento viveu 2008, Madonna daria inicio a sua turnê Stick & Sweet que se tornaria a maior turnê feminina solo da história, recorde que permanece até hoje e Beyoncé ja em carreira solo conquistaria o topo dos Charts e das festas com seu Single Ladies (Put a Ring on It).
Em 2008 Amy Winehouse era aclamada no Grammy e Taylor Swift lançava Fearless, seu maior sucesso comercial que venceria o Álbum do Ano em 2010, fazendo a cantora ser a mais jovem a vencer o premio máximo da indústria.

Com irmãos tão bem sucedidos, fica difícil para 2018 não sentir a pressão de seus predecessores que marcaram a história da música. Lançamentos de peso para todos os gostos teremos aos montes, já que voltam; Justin Timberlake, Ariana Grande,1975, Avril Lavigne, Camila Cabello, Franz Ferdinand, Artic Monkeys, Madonna, Bastille, Interpol, Jack White, Kylie Minogue, Ozzy Osbourne, Muse, Selena Gomez, Frank Ocean entre outros.

No Brasil Pablo Vittar já está em processo de produção de seu novo disco e Anitta deve lançar algo impactante ainda no primeiro semestre, do mais teremos ainda o Sertanejo Universitário e o Funk dominando as paradas. Não desmerecendo a geração atual, longe de mim adoro aliás, mas que da saudade o Brasil de 1988 com Ideologia do Cazuza, primeiro disco da Marisa Monte, além da alegria das festas infantis Xou da Xuxa 3 e vou de táxi da Angélica, isso dá.

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Prazer, eu.

41R3iG8-59L._SL500_AA300_Quem me conhece sabe que recuso balada pra assistir tv; não assisto filmes que começaram há pelo menos 5 minutos; faço o uso de palavras em inglês no meu cotidiano, às vezes para parecer esperta, outras idiota, ou pra ninguém entender mesmo.

Gosto de tv. Amo tv. Amo cinema. Amo atuar. Escrever também. Descobri que sou fã de moda há 3 anos, mas não farei um blog indicando esmaltes ou look do dia, fique tranquilo. Tenho a mentalidade de uma garota de 13 anos, assisto desenhos e inúmeros programas ditos infantis. Não é que eu queira ser o Peter Pan, não é isso. O meu problema é que não desapego do passado. De 13 pulo pra 40 anos em segundos e não entendo essa modernidade toda em volta de mim. Desde a roupa curta à (falta de ) educação das crianças.

Gosto de música. De todo tipo. Sou a garota que foi em shows do Metallica,  Madonna, Jonas Brothers e até do Molejo.

Cheguei na fase do ‘preciso fazer algo por mim porque se eu não fizer ninguém vai fazer’.

Não vou fazer esforços pra manter isso. Tenho o péssimo hábito de não dar continuidade nas coisas que começo. Esse eu vou terminar. Ou pelo menos manter enquanto der. Ou me agradar.

Aprendi que mudar quem eu sou para agradar os outros só tem me feito mal. Quero essa deprê toda pra longe de mim. Cansei de mendigar amizades. Quem tá junto, tá junto.

O meu conselho é ser quem você é. Aceitar quem você é. Pare de seguir ou outros, seja você o líder. A vida é sua. As consequências cairão sobre você somente. Vá em shows, mesmo que você não goste da música. Assista com a sua mãe aquele filme chato que ela ama em uma tarde de sábado. Escute aquela banda que seus amigos não gostam mas você adora no último volume, já que surdez será única e exclusivamente sua. Cuide bem das suas amizades e verifique se estão cuidando bem de você também.  Retribua ironia com gargalhadas, raiva com abraços, gritaria com silêncio, incompetência com paciência. Quem critica o que você faz é porque não tem coragem de fazer igual. E antes de se entregar, ame-se. Ame-se acima de tudo. E nessa mesma intensidade, ame os outros também.

Porque não se amar é trancar o coração pra felicidade e jogar a chave fora.

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