Ariana Grande – Thank u, Next; A Estrela Pop Surpreende ao Lançar Novo Single Direcionado aos Seus Exs

Ariana Grande pegou a internet de surpresa no ultimo fim de semana ao lançar seu novo single, Thank u, Next, faixa inédita e carro chefe do novo disco da cantora que deverá ter o mesmo titulo da canção, a ser lançado em janeiro de 2019.

A faixa fala sobre os ensinamentos que os seus relacionamentos anteriores trouxeram, além de agradecer e se despedir dos seus ex namorados através da canção.

Ariana lançou recentemente seu disco Sweetener, ao qual deve render uma turnê no primeiro trimestre de 2019. O disco teve recepção morna do público e um pouco mais calorosa da critica especializada. No entanto, devido a problemas pessoais como esgotamento e o fim do relacionamento da americana com o comediante Pete Davidson, levaram a artista a pausar a divulgação do disco e se concentrar na confecção de um novo material.

Confira

Ler mais

Robyn – Honey; A Bussola Pop Mais Calibrada do Que Nunca

Body Talk de 2010 foi um divisor de águas nessa década, foi o trabalho que deu projeção mundial a musicista sueca Robin Miriam Carlsson, ou simplesmente Robyn. No mercado desde os anos 90, foi com esse disco que a artista trouxe para o universo pop uma paleta de sons que deram o direcionamento de trabalhos de sucesso na primeira metade dos anos 2010. Produtores como Shellback, Max Martin entre outros midas da música comercial, assinando as produções de Lorde, Katy Perry, Ellie Goulding e Taylor Swift transferiram muito da genialidade desse disco que é um marco na música dance / pop.

Eis que oito anos depois a sueca lança seu aguardado mais novo trabalho, titulado Honey e apesar de inicialmente mais curto que Body Talk, traz uma nova visão e aproximação a sua arte. São nove faixas que rendem uma audição rica e cheia de detalhes a serem degustados.

O disco abre com Missing U, uma delicada faixa que lembra um pouco de seus trabalhos anteriores, porém traz uma Robyn mais madura e mais sensível.  A faixa fala de um amor que se foi e toda a sorte de tentativas de análises sobre o que representou esses sentimentos para ambos. Já aqui temos o fio condutor de todo o trabalho que é a mais pura melancolia e quem melhor que Robyn para nos fazer dançar e chorar ao mesmo tempo e de forma maravilhosa?

A jovem Zhala divide com Robyn a faixa Human Being, um soft dance com uma pitada deliciosa de Prince. Afinal, nada melhor que celebrar a humanidade do que dançando.

Robyn evoca uma moderna disco com uma pegada Funk com toques orientais em Because It’s Music, que surpreendentemente nos leva aos anos 90 como num sonho lúdico.  A produção é um primor, assumem com a artista os suecos Klas Anlund que já trabalhou com Katy Perry em Prism e Joseph Mount.

Baby Forgive Me e Send To Robin Immediately são duas canções que se fundem e tem um fio logico tanto musicalmente quanto narrativamente. A transição lírica e em quesito de construção sonora é um dos pontos altos do disco.

Honey que dá titulo ao trabalho foi oferecida a Lena Dunham, escritora e uma das protagonistas do seriado Girls da HBO, como um pedido da própria Lena depois de ter inserido Dancing on My Own de Robyn em um dos episódios da série. Honey na época não estava finalizada, mas como um sinal de agradecimento a artista, que é grande fã da série, decidiu finalizar mais rapidamente e mandar para ser inserida na temporada final de Girls.

A música tem uma conotação sexual delicada e quebra um pouco do ar lamentoso das faixas anteriores com um pop mais solar.

Um lounge eletro tropical do fim dos anos 90 é o que é servido em Between The Lines, o clima de flerte avança com as batidas luxuosas da faixa.

Em Beach2k20 o clima de veraneio high tech cheio de sintetizadores traz a paixão da artista pelo samba. Claro que aqui o samba não seria cheio de texturas orgânicas como conhecemos e sim com uma desconstrução calcada na tecnologia e no entendimento de estruturas sonoras que dão aquele ar incrível de vintage futurista. Um laboratório sonoro completo e feito para ser apreciado.

Ever Again encerra a obra da forma que deveria ser encerrada, fazendo uma reflexão entre o que transcorreu ao longo do trabalho e o que o futuro aguarda.

A produção faz as pontes entre o inicio o meio e o fim de Honey funcionando como um perfeito ato de encerramento, mas que deixa aquela vontade de voltar ao inicio e começar a jornada novamente.

Robyn não se deixou intimidar pelo trabalho que tinha a frente, deixou de lado as firulas que a indústria da música faz com quem de repente, se vê como um dos guias das novas gerações de artistas. Algo inverso aconteceu com Sia, que desde que se tomou conhecimento de seu trabalho avassalador e rico, tem sido sugada ano após ano pela indústria. Robyn continuou trabalhando com o coração ao que construiu com suas mãos e com quase uma década de diferença de um disco para outro, algo que a Sade faz muito bem, conseguimos perceber que o amadurecimento foi avassalador e como um bom vinho a sueca continua num caminho de boa maturação trazendo sabores cada vez mais impares.  Segundo as palavras da própria; “Now I can see life the curve of life happening in a certain way. But because of that, I feel much freer as a person. // Agora eu posso ver a curva da vida acontecendo de uma certa forma. Mas por causa disso eu me sinto muito mais livre como pessoa.”

Nota; 10/10

Para Ouvir;

Missing U

Because It’s Music

Send To Robin Immediately

Honey

Beach2k20

Ever Again

Ler mais

Pabllo Vittar – Não Para Não; Na Pressa, Pabllo Atropela quem Estiver na Frente, Inclusive sua Música

Na onda que surgiu em meados de 2015 e 2016, da exaltação das Drags Queens internacionais oriundas de RuPauls Drag Race, que lotavam as casas noturnas Brasil a fora com seus espetáculos musicais autorias. Uma leva de artistas LGBT’s começaram a despontar no cenário nacional e a maior expoente dessa leva, que tomou de assalto todos os meios midiáticos, é sem dúvida Pabllo Vittar. Inegável o impacto de Pabllo Vittar no cenário da música pop dessa década, tanto no Brasil como fora dele, sendo apadrinhada por nomes como Diplo do Major Lazer e Charli XCX.

E em meio a tanto Hype, Pabllo lança seu mais novo trabalho; Não Para Não. Se trata absolutamente de um disco brasileiro feito aos moldes do que se tem produzido nos inferninhos ao redor do país. O disco acerta em utilizar uma linguagem que transita bem entre diversos públicos, e para isso utiliza produções que vão do Funk ao brega, passando pelo Axé.

As colaborações também são um ponto forte nessa empreitada de abraçar o mundo e agradar todo o tipo ouvintes. A diversidade e a identidade com ritmos populares, principalmente do norte do país é o que mais se tem de interessante no trabalho, porém o lírico carece de sustância para fazer o disco parar em pé.

Com composições simples, as músicas se tornam risórias pelos motivos errados, a pobreza na construção das letras faz um poeta iniciante soar mais como um Pablo, Neruda do que Vittar.

Com mais tempo de bagagem e muito mais verba que em seu trabalho anterior, era de se esperar mais capricho nesse álbum, mas tudo parece ter sido feito às pressas, numa ânsia que tudo se acabe logo. Nenhuma música do curto disco, são dez faixas, passa dos três minutos.

Nunca se exigiu muito conteúdo em músicas feitas para rebolar e se jogar nas festas, porem para uma artista que quer se levar a sério e tem tomado para si as rédeas do pop nacional, era esperado um pouco mais de capricho no novo trabalho. Havia sido divulgado que o disco traria engajamento por causas sociais, porem se limita a péssima Ouro, parceria com Urias, que nem chega perto da maravilhosa e cheia de coração, Indestrutível, de seu álbum anterior, o Vai Passar Mal.

Falando em parceria, a química de Pabllo com o pagodeiro Dilsinho, rendeu a melhor música do trabalho, o que não é um mérito muito grande. Trago seu Amor de Volta tem uma pegada gostosa de Axé, com muito romantismo e bom humor, referenciando aquelas propagandas que vemos coladas em postes em todo Brasil.

Disk Me, atual single de Vittar, também tem seu brilho, mas é uma balada que fica bem aquém do apelo pop de K.O. por exemplo. Destaque para os bons vocais de Pabllo.

Não vou deitar é um gostoso forró com toques contemporâneos que contagia e faz referências as famigeradas “sofrências”, muito populares no nordeste e norte.

Evocando os vocais das grandes divas do euro dance dos anos 90, Seu Crime dá pistas que estamos diante de uma Pabllo de coração partido e que busca a redenção de um sentimento que não vingou.

Os pontos altos do disco sem duvidas são as produções, mixagens no ponto e trazendo uma variedade enorme de ritmos brasileiros e com uma linguagem pop bem-feita, que é eficiente em se comunicar com vários nichos sem perder a identidade. Os vocais de Pabllo também melhoraram bastante e soam mais brilhantes e um pouco menos incômodos.

O maior problema de Não Para Não, intencional ou não, é a velocidade em que somos devastados pelo disco, que atropela tudo pela frente e entrega freneticamente uma variedade imensa de coisas acontecendo ao mesmo tempo, como colocar todos os sabores de bala ao mesmo tempo na boca, não se consegue identificar ou aproveitar o sabor de nenhuma, e o saldo é amargo.

Como já dito, as letras têm bons sentidos, mas são mal escritas, passando um ar de preguiça dos compositores, e o brasil sendo berço de excelentes letristas, ficamos meio sem entender o motivo de tanta pobreza.

Não Para Não poderia ter sido melhor aproveitado se lançado naquele período do ano, entre as férias e o carnaval, com o sol a pino e o clima de descontração, com certeza seria uma tacada de mestre, e o álbum contribuiria e muito para esse período notório de alegria nacional. Porém lançar um disco descompromissado, vendido com uma capa de engajamento, as portas de eleições polemicas e sem conteúdo que faça jus a essa tal militância, é ligar um freezer no Alasca.

Nota; 4,0

Para Ouvir;

Seu Crime

Disk Me

Não Vou Deitar

Trago Seu Amor De Volta feat. Dilsinho

 

 

Ler mais

Avril Lavigne – Head Above Water; Um Calvário depois, Avril Retorna com uma Poderosa Balada Hard Rock

A canadense Avril Lavigne liberou hoje sua nova música, titulada Head Above Water.

É o primeiro trabalho inédito de Avril desde a promocional Fly de 2015.

Head Above Water é uma forte balada de pegada hard rock, que eleva e traz uma evolução na sonoridade de Lavigne.

O novo álbum da artista continua sem titulo e data de lançamento divulgados, a expectativa é que saia ainda esse semestre.

Ouça; 

Ler mais

Cher – Gimme! Gimme! Gimme! (A man After Midnight); A Divertida Versão da Deusa do Pop para A Icônica Musica do Abba

Cher é uma das estrelas presentes Mama Mia! Here We Go Again! Segunda parte do aclamado musical Mama Mia! Levado as telas no fim dos anos 2000 e estrelado por Meryl Streep. A obra consiste em uma ode apaixonada pelo quarteto sueco Abba, um dos ícones da dance music dos anos 70 e 80.

Aproveitando o ensejo, Cher decidiu revisitar a discografia do grupo e lançar um disco inteirinho com versões dos hits do Abba.

E já está entre nós a primeira mostra oficial dessa incursão, Gimme! Gimme! Gimme! (A man After Midnight) foi escolhida como carro chefe do projeto, que já tem até título; Dancing Queen. O álbum deve ser lançado ainda nesse semestre.

Lembrando que em 2005 Madonna conseguiu permissão do próprio Abba, para usar o sample da música em seu single Hung Up, e o resultado todo mundo já conhece.

Será que depois de vinte anos Cher irá emplacar mais um hino global como fez com Believe em 1998? Tomara!

 

Ler mais

Florence + Machine – High Hopes; O Amadurecimento Chegou, Mas a Voz e Beleza Continuam Lá

Florence Welch, a voz e o rosto a frente do Florence + Machine, há dez anos tem nos entregue trabalhos cheios de contornos, nuances, cores, sombreados, como se a banda fizesse de seus discos exposições de pinturas das mais variadas, que enchiam nossos ouvidos de força e doçura, fúria e amor.

Com How Big, How Blue, How Beautiful de 2015, a banda se aventurou num rock mais pesado que outrora, trazendo nuances clean e de apelo minimalista as identidades visual e sonora da era. O resultado foi um trabalho coeso e que resultou na Odissey, funcionando como um curta metragem interligando os vídeos das músicas de forma a contarem a história de sua protagonista de forma linear.

Em High Hopes as cores voltaram, mas aqui um pouco desbotadas, desgastadas pela ação do tempo. Fugindo das cores vivas e ritualísticas de Lungs de 2009, as cores lúdicas em tons soturnos de Cerimonials de 2011 e as cores minimalistas e limpas do já mencionado How Big, How Blue, How Beautiful de 2015.

High Hopes inicia com June, uma balada progressiva que evoca o que a banda tem de melhor; envolver seu ouvinte e a voz poderosa de Florence aliada a impecável produção nos seduz como uma dramática e melancólica sereia puxando suas vitimas para o fundo do oceano, e quem não quer se afogar em tamanha beleza?

O single Hunger traz energia e coloca o clima lá em cima, aumentando o clima e a expectativa para o resto do trabalho.

South London Forever traz o ouvinte numa queda colossal ao chão, tirando a letra cheia de sentimento, não faz jus as faixas anteriores.

Big God torna a audição mais ritualística, marca registrada da banda e abre o caminho para a extraordinária Sky Full Of Song. Aliás o clima aéreo é presente durante toda a obra, fazendo um belo contraponto a necessidade de pé no chão.

Somos levados a igreja, ou melhor a um culto a wicca em meio a natureza, com a faixa Patricia, pra dançar descalço e de olhos fechados no meio da sala. Um deleite.

Já puxando para o segmento final, 100 Years parece uma versão mais contida do clássico Dog Days Are Over do Lungs. The End Of Love é perfeita para aqueles momentos mais intimistas dos festivais, onde o público fará coros e brilhará como um céu estrelado com seus smartphones ligados. Enquanto No Choir dá o tom de final de disco e fecha tudo com a leveza necessária.

O piano é quem dá o tom em High Hopes, diferente do elétrico disco anterior, tudo tem um tom de transição, como um rito de passagem, Florence + Machine fecha uma década no mainstream com muita bagagem e com sensação de dever cumprido.

Depois de tantos percalços, Florence parece querer andar menos entre os deuses e mais entre os mortais, de longe sua obra mais humana. Amém Florence.

Nota 9/10

Para Ouvir;

June

Hunger

Sky Full Of Song

Patricia

100 Years

The End Of Love

No Choir

 

 

Ler mais

Christina Aguilera – Liberation; A Conciliação Artística de Coração e Alma

Christina Aguilera é uma das vozes mais marcantes da história recente da música pop, seus timbres e a aparente facilidade com que consegue alcançar as mais elevadas notas, a coloca de certa forma no mesmo patamar de outras artistas que possuem tal talento nato, como Celine Dion, Mariah Carey e a maior de todas Whitney Houston.

Porém o que faltava a Aguilera era um trabalho onde esse talento nato pudesse ser explorado e posto à prova, e parece que isso finalmente aconteceu.

Em seu novo trabalho, Liberation, a cantora explora de forma versátil sua potente voz, entregando as vezes seus famosos agudos, ou fazendo outras manobras vocais mais suaves que são um deleite.

Embora Stripped de 2002 e Back to Basics de 2006 sejam excelentes discos e joias na carreira da cantora, Liberation parece finalmente trazer de volta a essência perdida no bom, mas confuso Bionic de 2010 e no descartável e plástico Lotus de 2012.

Musicalmente o disco segue a tendência que está em alta nessa década, de fazer odes ao empoderamento feminino, tão necessário em tempos em que as sombras do recesso se fazem presentes. Seguindo a linha de artistas como Alicia Keys e Beyoncé, Christina traz sua visão da vida agora, depois de altos e baixos, maternidade e uma chuva de críticas que a fizeram colocar a sua famosa ‘arrogância’ de lado e entregar completamente despida um trabalho que exala alma.

Liberation e Searching for Maria se tratam de uma intro e de um interlude que abrem o disco, aliás encher o trabalho de apresentações e transições entre as faixas, era uma característica interessante nos discos de Christina e parece que está de volta.

Maria é efetivamente a primeira faixa do álbum e traz uma conversa pra lá de séria da artista com ela mesma e com a sociedade, como aquelas broncas e desabafos que fazemos diante um espelho. A música é sensível e forte ao mesmo tempo, uma ótima forma de abrir o trabalho.

Sick Of Sitin’, gravada com banda completa, é um deleite, a voz soul de Cristina acompanhada de um funk delicioso amarrado com uma guitarra elétrica traz toda uma atmosfera a lá Janis Joplin e nos transporta a um grande festival dos anos 70. Uma das melhores da carreira da moça sem dúvida, aliás Christina nunca soou tão Michael Jackson como aqui.

O manifesto Dreamers amansa o clima para preparar o ouvinte para a poderosa Fall In Line, parceria com Demi Lovato.

O R&B toma conta da obra em Right Moves e Like a Do. Enquanto Deserve mostra uma outra faceta, um tanto mais experimental que da um certo frescor a obra como um todo.

Twice é Christina Aguilera dos pés a cabeça, é o que se espera ouvir num disco da cantora, e ela não faz feio, com uma letra pra lá de pessoal.

I Don’t Need It Anymore é uma interlude para o segmento mais sexy do disco, que segue com o single Accelerate, que aqui se encaixa muito bem e com a cheia de más intenções Pipe, parceria com XNDA.

Masochist é uma balada confessional que prepara o ouvinte para os momentos finais do disco e amarra o conceito do álbum como um fazedor de pazes entre a cantora e ela mesma, com a participação dos fãs.

Unless It’s With You fecha trabalho e é onde Aguilera solta o freio e entrega todos os ‘aguilerismos’ que estamos acostumados, muitos gritos e manobras de arrepiar.

Em Liberation Christina Aguilera faz as pazes com a sua arte e consigo mesma, trazendo de volta a luz seu coração e acima de tudo sua alma. Talvez não tenha um retorno comercial como o esperado para um artista de seu calibre, acostumada em outrora com cifras na casa dos milhões. Mas como arte, é um triunfo sobre os períodos nebulosos que sua carreira passou nessa década.

 

 

Nota 8/10

Para Ouvir;

Maria

Sick of Sitin’

Fall In Line feat. Demi Lovato

Like I Do feat. GoldLink

Deserve

Twice

Ler mais

Janelle Monáe – Dirty Computer; Quente, Úmido e Cheio de Fantasias

Janelle sempre foi adepta dos ditos ‘álbuns conceito’, seja com seu ótimo álbum de estreia o The ArchAndroid de 2010 ou o roqueiro cheio de soul The Eletric Lady de 2013, a moça sempre passeou bem por bases e experimentações das mais diversas, fazendo um mix de voz e influências de encher os ouvidos.

Em Dirty Computer, seu mais recente trabalho, Monáe chega ao ápice dessas boas influências, colocando dance, hip hop, pop, rock, eletrônico e Prince numa atmosfera épica e religiosa, para executar uma crestomatia á sexualidade e a feminilidade.

A metálica Dirty Computer abre os trabalhos, já dando o tom noturno da obra e pincelando por cima o que vem por aí.

Crazy, Classic, Life traz forte os teclados, baterias e sintetizadores oitentistas e consagrados nessa geração que tem adoração por essa década.

Take a Byte tem um swing gostoso e uma deliciosamente atrevida letra, cheia de indiretas sexuais escondidas em analogias ao mundo cibernético.

Screwed traz um pouco de pop rock a mistura, com um refrão chiclete de primeira. Se fosse lançada em 87 seria um clássico instantâneo.

Django Jane deixa o tom um pouco mais serio e politizado com o disco abraçando o rap e o hip hop. A faixa aqui funciona como um belo manifesto a liberdade feminina.

Pynk se distancia um pouco do clima estabelecido no disco até aqui, trazendo uma linguagem mais radiofônica e nem por isso menos interessante.

O que acontece quando um artista quer homenagear seu ídolo colocando toda sua criatividade, calor, suor e talento para fora, numa faixa visceral e extraordinária?

O resultado pode ser ilustrado com Make Me Feel, uma homenagem a altura do imortal Prince. Seja pela letra extremamente sexy, pelos falsetes bem colocados ou pela produção que valoriza aquela guitarra safada e cheia de tesão, marca registrada do gênio.

I Got The Juice é uma faixa produzida e em parceria com Pharrel Williams, que acaba tomando muito para si o trabalho, e a deixando como uma das mais genéricas e menos interessantes da obra.

A sexy I Like That traz a sonoridade para os campos do hip hop e R&B novamente, seguida pela arrastada Don’t Judge Me.

So Afraid é uma boa balada confessional que vai dando o tom de despedida do disco, como uma reflexão no taxi após uma festa inebriante. As guitarras distorcidas e os coros dão um ar religioso a faixa. Coro aliás que inicia a última música do disco; Americans.

Seguindo a linha religiosa, a canção é uma crítica ao atual cenário político e social dos Estados Unidos.

“I like my woman in the kitchen, I teach my children superstitions, I keep my two guns on my blue nightstand. A pretty young thang, she can wash my clothes, But she’ll never ever wear my pants.” / “Eu gosto da minha mulher na cozinha, eu ensino superstições aos meus filhos, eu mantenho minhas duas armas na minha mesa de cabeceira azul. Uma mulher bem jovem, ela pode lavar minhas roupas, mas ela nunca vai usar minhas calças.”

Americans fecha muito bem o conceito político do álbum e amarra bem o conjunto da obra.

Janelle conseguiu entregar com dignidade o melhor trabalho de sua carreira até aqui, se mantendo fiel a sua estética sonora e sem medo de experimentar e ir além no seu desejo de se aperfeiçoar como artista. Ao mesmo tempo Dirty Computer é pop e de excelente digestão, sem necessariamente soar descartável e piegas. O último disco pop a oferecer essa dinâmica de conceito, referencias, pop e sem ser posto como um mero produto do mercado foi o Ray Of Light de Madonna de 1998.

Janelle não é uma nova Madonna, nem uma nova Tina Turner ou mesmo um novo Prince e agradecemos aos deuses da música por ela ser apenas Janelle.

 

 

Nota 9/10  

Para ouvir;

Crazy, Classic, Life

Take a Byte

Screwed feat. Zoe Kravitz

Make Me Feel

So Afraid

Americans

 

Ler mais

Christina Aguilera Feat. Demi Lovato – Fall In Line; Erros e Acertos Marcam Homeopaticamente a Volta De Aguilera ao Mainstream

Eis que finalmente está entre nós a tão falada colaboração de Christina Aguilera e Demi Lovato. A Faixa se chama Fall In Line e foi lançada hoje 16/05.

A faixa flerta com o soul na maior parte do tempo, lembrando de longe o trabalho de Aguilera em Stripped e Back to Basics. Aliás a voz de Xtina está no ponto como sempre e não envelheceu nadinha.

E nesse aspecto podemos ver a diferença entre as duas interpretes. Demi tem uma voz treinada e Christina uma voz que é um dom raro. As duas estão afinadíssimas e mandando bem, com um maior alcance de Aguilera. Porém chega num momento que a coisa descamba para uma competição de quem grita mais e mais alto, o que não necessariamente é positivo para o ouvinte e não ajuda em nada a canção.

No sentido lírico a música estaciona nos clichês já explorados a exaustão por ambas, autoafirmação, auto ajuda, auto indulgencia e por aí vai. Porém pode funcionar para elucidar a nova geração sobre empoderamento feminino.

Não é uma Can’t Hold Us Down 2.0, longe disso, mas é um pouco melhor do que as que a loira tem lançado ultimamente.

A letra é assinada por Jon Bellion.

O novo disco de Christina, titulado de ‘’ Liberation ‘’ tem previsão de lançamento ainda nesse semestre.

Confira o Lyric vídeo para Fall in Line;

 

Ler mais

Kacey Musgraves – Golden Hour; A Espetacular Obra da Amazona Solitária do Country

Kacey Musgraves é uma joia rara dentro do cenário musical dos dias de hoje, não apenas no universo country, mas de uma forma geral, a texana consegue passar sentimento, critica social, apego as novas influências e isso tudo soando como uma jovem Dolly Parton / Willie Nelson.

A jovialidade, bom humor e acidez com que trata os assuntos mais diversos, embalados por composições do cancioneiro americano, dão lugar a um tom mais sério em Golden Hour, novo trabalho de inéditas de Kacey.

Bebendo, segundo a mesma, de influências como Sade, Bee Gees e Neil Young, Musgraves consegue misturar tudo isso dentro de um caldeirão country e entregar sem dúvidas um dos melhores trabalhos da década e superar seu espetacular Same Trailer Different Park de 2013.

Enquanto que em Same Trailer Different Park (2013) e Pageant Material (2015), o bom humor era um contraste interessante em relação as canções mais sentidas, em Golden Hour o tom é um pouco mais sério e o humor mais delicado.

As metáforas sobre a natureza contidas na narrativa tornam as estrofes inteligentes e ridiculamente espetaculares de lindas.

Slow Burn abre o disco com um jeito descompromissado que vai se expandindo como uma brasa aquecendo devagar o restante da lenha até que quando menos se perceba tudo está repleto de som e poesia.

Lonely Weekend segue a narrativa com a inserção dos primeiros instrumentos eletrônicos dos 70’s e início dos 80’s. O que dá a tudo um ar surpreendentemente bucólico, soando doces e despreocupados, envolvendo as cordas, percussões e a doce voz de Kacey. Música para bater o dedinho no volante quando se vai viajar.

Butterflies é o terceiro single do disco e é a faixa que mais lembra os trabalhos anteriores da moça.

A voz robótica estilo Daft Punk invade os primeiros versos de What a World, uma das melhores produções da carreira de Kacey e uma das melhores faixas country em muitos anos.

A curta Mother, é sobre uma experiencia que a texana teve com LSD, onde tudo que ela pode pensar naquele momento é a falta que faz a mãe.

A segunda parte do disco começa com Love Is a Wild Thing, que recupera o ritmo e traz uma atmosfera de entardecer ao trabalho que a partir daqui irá começar a ganhar tons mais puxados para o noturno. Uma das melhores do disco.

Kacey conta que estava em um haras olhando os cavalos próxima da cerca, quando um deles veio em sua direção em alta velocidade e ela instintivamente fechou o portão para ele não escapar e o cuidador soltou uma frase que está presente na canção e ela não conseguiu tirar da cabeça; ‘’ When a horse wants to run, ain’t no sense in closing the gate / Quando um cavalo quer correr, não faz sentido fechar o portão’’.  Assim surgiu a ideia para compor Space Cowboy. A faixa é como aquela estrela que brilha no céu ao anoitecer quando ainda há luz solar no horizonte e depois de um tempo, quando você finalmente a nota, se maravilha com o poder do universo. ‘’ You look out the window, while I look at you. Sayin’ I don’t know, Would be like saying that the sky ain’t blue / você olha pela janela, enquanto eu olho para você. Dizendo que não sei, seria como dizer que o céu não é azul ‘

A pop Happy & Sad versa sobre ansiedade e inseguranças e em como as sensações podem mudar em instantes. No mundo contemporâneo muita gente pode se identificar com a volatilidade dos sentimentos ambíguos descritos aqui.

A sexy e divertida Velvet Elvis traz um pouco de dourado brilhante a obra até então um tanto melancólica. E Wonder Woman segue puxando para cima a energia do álbum, se destacando com uma das faixas mais gostosas da carreira da moça.

E o ápice da energia resulta na brilhante High Horse, que fecha essa sessão mais pop, com uma vibe Disco/Country de primeira e uma letra deliciosamente acida. É para se sentir em um clube no interior nos anos 70, entregue a disco music dos Bee Gees, mas também preservando aquele country chic de Dolly Parton.

A faixa título do álbum deixa o ambiente a partir daqui mais intimista e confessional. Onde a texana declara todo o seu amor a alguém que tornou seu mundo interior e exterior mais vibrante. E a delicada Rainbow fecha com mérito o trabalho.

Tudo aqui respira, pulsa e vibra, as vezes devagar, as vezes mais dinamicamente veloz, mas de toda forma a obra funciona como uma ode ao amor próprio e a noção de suas limitações, e o aprendizado que isso tudo é absolutamente aceitável. ‘’ But, baby, I ain’t Wonder Woman. I don’t know how to lasso the love out of you, Don’t you know I’m only human? / Mas, querido, eu não sou a Mulher Maravilha. Eu não sei como tirar o amor de você, você não sabe que eu sou apenas humana? ‘’ Trecho de Wonder Woman.

Golden Hour é uma obra que a principio pode demorar a engatar num ouvido desatento, porém se o ouvinte se predispor a explorar o universo intimo e sonoro, pode se perder nos versos e arranjos que esbanjam refinamento e acima de tudo alma.

Não recomendado para amantes de música fast Food de rápido consumo e esgotamento. Recomendado para aqueles que apreciam se reclinar na poltrona e apreciar essa bela iguaria cheia de texturas e sabores com doses cavalares de sentimento.

 

 

Nota 10/10

Para ouvir

Slow Burn

Lonely Weekend

Oh, What a World

Love is a Wild Thing

Space Cowboy

Happy & Sad

Velvet Elvis

Wonder Woman

High Horse

 

Ler mais
%d blogueiros gostam disto: