Anitta – Solo EP; Projeto Trilíngue Não se Sustenta e Carece de Brilho

Anitta lançou na madrugada desta sexta 09/11, seu mais novo projeto, titulado Solo.

Se trata de um EP com três faixas, executadas sem as costumazes parcerias que permearam os trabalhos da moça nos últimos meses, dai o nome Solo. As três músicas do trabalho são cantadas cada uma em uma língua, Espanhol, Português e Inglês, respectivamente.

A primeira faixa Veneno tem uma produção mais caprichada e mais bem-acabada que as demais canções. Sendo cantada em espanhol, a faixa traz todos os macetes já explorados pela cantora, sexualidade e uma orientação as produções latinas que tem estado em evidência.

Não Perco Meu Tempo é a fraca faixa em português do trabalho, para uma artista que já incendiou as rádios com hinos como Show das Poderosas, Vai Malandra e Bang, a canção fica muito aquém e soa desleixada, melhor não perder seu tempo.

E fechando o trabalho Goals em inglês, traz camadas mais sóbrias e alinhadas com a primeira faixa. Mesmo assim não empolga, pois, o vocal arrastado poda a energia e a veia pop de Anitta.

E não parece muito efetivo em força para avançar sobre o tão disputado mercado internacional.

Anitta não lança um disco completo desde Bang de 2015, e em todo esse tempo se dedicou a projetos e faixas soltas, o que lhe rendeu certo destaque fora do país, mais pela imagem do que pela música em si, e viu sua colega Pablo Vittar a ultrapassar, estando essa mais em evidência nos últimos meses. Pablo mira sim em sua carreira internacional, porém não deixa de alimentar seu principal mercado, o brasileiro. Anitta devia seguir pelo mesmo caminho se quiser manter a relevância nacional na próxima década. E com tanto tempo para se dedicar a produção, é de se espantar que tenha apresentado um trabalho tão insatisfatório.

Nota 1/10

Para ouvir;

Veneno

 

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Iggy Azelea – Survive The Summer; A Vontade Prevalece e o Caminho de Volta ao Mainstream é Tortuoso

The New Classic em 2014 colocou Iggy Azelea no mapa da musica pop, com um recheio cheio de hits como BlackWidow, Work e aquele que foi um dos expoentes da boa safra musical daquele ano; Fancy com participação da Charli XCX, atualmente em turnê com a superestrela Taylor Swift.

Desde então Iggy tem travado uma batalha homérica com sua gravadora, marcando e desmarcando uma duzia de vezes a data de lançamento de seu novo trabalho, até então titulado Digital Distorcion. Após o lançamentos de alguns singles que foram recebidos de forma morna pelo publico, a Universal Music enterrou de vez a possibilidade de lançamento do trabalho, deixando a australiana a ver navios.

Talvez tenha sido uma boa ideia esse tempo na geladeira, já que os singles não faziam jus ao potencial radiofônico esperado da artista, e nesse hiato vislumbramos o recém lançado EP Survive The Summer.

Iggy aqui parece reencontrar sua veia criativa que a consagrou no trabalho de 2014. Em um 2018 com tantos artistas fazendo as pazes consigo mesmo, ela pode se orgulhar do que entregou no curto mas completo EP.

Survive The Summer, faixa homônima a obra abre a tracklist já tocando na ferida do feudo entre Iggy e a gravadora; “ Se eu não gostar eu mudo, gravadora vacilando, então eu mudo, Qual? Qual? Traga a grana e está feito’’. Além claro da critica a seus algozes que a artista não duraria além do verão.

Tokyo Snow Trip é uma musica cheia de analogias ao consumo de cocaína. A artista porém atribui esse consumo a outra pessoa, que parece exagerar nas doses.

Kream parceria com Tyga traz mais uma vez a acidez e azedume ao falar de excessos, aqui sobre a necessidade incasavel de dinheiro das pessoas por trás de Iggy “Cash runs everything around me / O dinheiro controla tudo ao meu redor”

As faixas a seguir Hey Iggy e Kawasaki, essa ultima com a melhor produção do disco, seguem com a tematica de empoderamento financeiro e nesse ponto o disco perde um pouco o brilho e se torna uma repetição de ostentação sem fim, intercaladas de auto afirmações relacionadas a poder e dinheiro. Se tratando de rap contemporaneo, é um prato cheio.

OMG com Wiz Khlifa fecha o EP e deixa no um gosto de requentado nos nossos ouvidos.

O cenário musical mudou drasticamente de 2014 até 2018 e Iggy de certa forma conseguiu trazer um certo frescor ao seu trabalho, apostando numa atmosfera dark e buscando em meio disso expressar seu descontentamento com os últimos acontecimentos na sua vida profissional.

Como disco, Survive The Summer é reduntante lirica e musicalmente, sempre nos levando ao mesmo lugar, mesmo para um EP. Como retomada do sentido criativo soma pontos, como objeto de posteriores lembranças fica aquém do que a australiana pode entregar.

Nota 6/10

Para Ouvir;

Survive The Summer

Kream

Kawasaki

 

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