Carly Rae Jespen – Dedicated; Disco Redondo Para Quem Busca Música Pop de Fácil Assimilação.

Alguns artistas têm a alcunha de one hit Wonders, que define
aqueles que terão apenas uma música de muito sucesso pelo resto de suas vidas.
A canadense Carly Rae Jespen ficou marcada com o smash hit de 2012 “Call Me Maybe’’,
e desde então não teve sucesso em lançar nenhum outro hit equiparável. Porém
Jespen se valeu de fortificar uma base de fãs fiel com o álbum Emotion de 2015.
Álbum bem recebido pela crítica e por parte do público, principalmente os
amantes de música pop. E agora em 2019 consolidando mais ainda esse nicho Carly
Rae Jespen lança Dedicated.

É engraçado pensar nos temas líricos
dos discos de Jespen, a garota parece sempre perseguir incansavelmente um objeto
amoroso sem no entanto alcança lo. Para a canadense aparentemente a busca é
mais interessante e estimulante do que conquistar a linha de chegada
efetivamente.

Powerpop jams estão por toda a
parte do disco, do tipo que te faz não pensar em nada e apenas se jogar numa música
de fácil assimilação. Não implicando no entanto falta de qualidade.

Julien, Now That I Found You e Happy
Not Knowing, são excelentes amostras desse pop descompromissado e nem por isso
jogado a mediocridade. Julien, que abre o disco, tem produção caprichadíssima e
vale uma chance de ser experimentada.

As ótimas Too Much e Party For One
trazem um aspecto confessional que dá substância a obra, não deixando
necessariamente o ritmo do disco cair, pelo contrário.

No Drug Like Me, Everything He Needs,
que lembra uma produção do The 1975, e Automatically In Love, trazem um swing romântico
e magnético.

Se você está antenado no mundo da
música pop dos últimos pelo menos 6 anos, já ouviu falar, inclusive aqui, de
Jack Antonoff, o americano empresta seu toque em Want You in My Room. A faixa
parece um descarte de algum projeto do Bleachers, o que nesse caso não é um
elogio.

Progredindo em um processo muito
particular, Carly tem permanecido agarrada as beiradas da indústria, entregando
trabalhos pontuais que de certa forma a mantém viva no imaginário daquela
parcela do público que consome indie pop. Essa transformação da canadense em
algo cult tem trazido bons resultados e esperança a aqueles que de certa forma
podem se encaixar nesse novo, ou nem tão novo, nicho de estrelas que prezam por
uma pretensa “qualidade”, sem abandonar o apelo às massas. Na expectativa de se
não hitar ótimo mas quem me dera, Jespen entrega mais um bom disco pop com coerência
e fidelidade.  

Nota 8,0 / 10

Para ouvir;

Julien

No Drug Like
Me

Now That
I Found You

Everything
He Needs

Too Much

Party For
One

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RESENHA: Charli XCX – Pop 2

Charli XCX parece mais uma daquelas aspirantes a estrelas que de parceria em parceria vão marcando seu nome até explodirem em algum álbum solo ou caírem de vez no ostracismo eterno e cruel da indústria mainstream. Porém se engana quem acha que a inglesa é só mais uma garotinha pop moldada pela sua gravadora, para virar um produto comercial e depois ser descartada.

Conhecida por ser a voz no maior hit da também inglesa Icona Pop, em I Love It e no Smash Hit mundial Fancy de Iggy Azalea. Charli começou sua carreira aos 14 anos no myspace e cantando em Raves ilegais na Inglaterra.

Em Pop 2 seu novo álbum, essa veia rítmica e experimental das raves fica evidente, o disco soa como uma espécie de Bon Iver pop. Quem por acaso o ouve esperando mais um produto pop convencional, pode se decepcionar com as texturas e ranhuras dos arranjos e as músicas que brincam magistralmente com o EDM e música de instalação.

Não que Pop 2 seja uma obra prima em avanço e influencia como o Body Talk de Robyn, que redefiniu a música pop nos primeiros minutos da década, porém é um passo ousado e muito bem-vindo da britânica.

Com músicas empoderadas e recheadas de participações o disco abraça a geração atual de milenials festeiros que querem tudo agora, mas que veem o mundo com certa nostalgia e pessimismo, coisa que Lorde soube trabalhar com esmero em Melodrama.

O disco abre com Backseat que conta com a participação de Carly Rae Jespen, e segue com a deliciosa Out of My Head parceria com Tove Lo e a novata ALMA. A melancólica Lucky traz um certo amargor resultante de uma rejeição anunciada. I Got It conta com a participação de Brooke Candy e Pablo Vittar, sendo uma das faixas mais interessantes do disco com Charli balbuciando algumas frases em português.Outros destaques ficam por conta de Femmebot, Delicious e Track 10.

É interessante ver a faceta de artistas que normalmente são pré-moldados mercadologicamente, agindo com liberdade criativa genuína e fazendo da sua música um verdadeiro laboratório de experimentações, onde muita coisa pode não dar certo, mas o que dá, é alquimia pura.

Para ouvir:

Out Of My Head feat. Tove Lo and ALMA

I Got It feat Brooke Candy, CupcakKe and Pablo Vittar

Femmebot feat. Dorian Electra and Mykki Blanco

Tears feat. Caroline Polachek

Unlock It feat. Kim Petras and Jay Park

Nota 9/10

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