Crítica | Indicada ao Emmy, conheça a ótima Shrill (HBO Max)

Eu sou uma fã insuportável de Saturday Night Live. Então sempre que dá, procuro por produções com atores ou roteiristas do programa. Caça Fantasmas, 30 Rock, Parks and Rec, Brooklyn 99, Todo Mundo Odeia o Chris e os 300 filmes do Adam Sandler estão aí para comprovar o legado do programa. Infelizmente séries como Portlandia, The Last Man on Earth e até o recente Schmigadoon!, não ganham a mesma atenção.

 

Não é que ninguém conheça, – a fanbase de Portlandia é gigante-, mas sofrem por falta de distribuição por aqui ou até de interesse de público mesmo, já que são atores conhecidos por um programa que não passa no Brasil. Não ajuda o YouTube bloquear os vídeos oficiais também né… B99 por exemplo, era exibida no Warner Channel mas só emplacou por aqui quando a Netlfix comprou. E olha que são tão boas (ou até melhores) que muitas coisas no ar atualmente. Você fica com a sensação que assistiu algo ótimo mas não tem com quem conversar sobre. O Canal Sony deixou de exibir o programa faz uns bons anos, o que só piora o caso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Baseado nas memórias homônimas da escritora Lindy West e com produção de Elizabeth Banks e o “pai” do SNL, Lorne Michaels, Shrill foi uma das melhores coisas que assisti em muito tempo.

 

 

Protagonizada por Aidy Bryant (Saturday Night Live), a série original da Hulu é sobre Annie, uma jornalista que divide seu tempo com a melhor amiga e roomate Fran (Lolly Adefope), colegas de trabalhos tão excêntricos que parecem ter saído de Scranton e affairs. Talvez seja importante mencionar que Annie é gorda. Digo ‘talvez’ porque esse não é o centro da história aqui.

 

 

Em Shrill, a obesidade tem uma outra função: a do foda-se. Annie não deixa de se relacionar, trabalhar ou ter uma vida por conta do seu peso. Quem é gordo já está acostumado a receber dicas sobre dietas, remédios, conselhos e simpatias para perder peso. Receber esse tipo de “conselho” gratuitamente e de cabeça baixa não é algo que a nossa estridente irá fazer. Ao invés de um jejum intermitente, ela usa sua plataforma no trabalho para falar sobre gordofobia, preconceito e aceitação. É uma desconstrução completa, tanto para Annie, quanto para o espectador. Se for gordo então… Ah, é impossível não se ver em alguma cena. No meu caso a primeira temporada foi, digamos, quase um ‘baseado em fatos reais’. O episódio Pool vai mexer muito com você.

 

Aidy Bryant Dancing GIF by HULU - Find & Share on GIPHY

 

Além de um chefe maluco, família, romance, auto-estima, representatividade de sobra e um boy lixo atrás do outro (dedo podre da porra), Shrill é um prato cheio (sem trocadilhos) para quem deseja uma boa comédia daquelas de deixar o coração quentinho. É sobre ir atrás do que quer sendo você mesma, ser maduro o suficiente para ser jovem. É sobre amor próprio.

Disponível na HBO MAX.

 

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária, jornalista e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que vê, tá com o TV Time todo atrasado, viciada em true crime e adora música ruim. Troy and Abed in the moooooorning. Segue lá no TV Time: Naíra Flores / Instagram @Nairaflowers

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