Especial DarkSide Books| Trauma de infância e suspense em Invasores de Corpos

Desde que me lembro, gosto de filmes de terror. Brincar de compasso, tesouro, loira do banheiro… Vejo tudo como uma brincadeira, ficção. Sei que não é verdade. Sempre digo: “Que apareça um fantasma, vampiro ou o próprio capiroto que fico tranquila, mas não me faça assistir algo com ETs”.

Nunca fui uma interessada em OVNIS ou vida inteligente fora da terra. Até porque, eu acredito que exista, visto que verdade está lá. Não é medo, é pavor de qualquer coisa alienígena. Créditos ao meu pai e aquele maldito canal Infinito que ele assistia todos os dias na extinta DirectTV, Gugu e seu chupa-cabra nos almoços de domingo… Ah, assistir Independence Day obrigada no cinema também não ajudou.

Então, quando a Darkside Books me enviou Invasores de Corpos (Jack Finey, 1955), eu pensei: agradeço a gentileza mas não, obrigada. Aí lembrei que já passei dos 30 e por 2020 também, logo, o que vier é lucro. Tenha sempre em mente que para você o que pode ser uma história simples, para mim é algo próximo a O Exorcista ou a um pesadelo de Stephen King.

Em Invasores de Corpos (também conhecido como Vampiros de Almas), a pacata Santa Mira é invadida por seres inteligentes de uma forma bem peculiar. Aqui não tem et zóiudo, verde e cabeçudo. Como o título já anuncia, esses ‘invasores’ chegam de fininho em uma espécie de casulo, parecido com uma vagem. Aos poucos, vão se transformando em uma pessoa que já existe, bem doppelganger mesmo. Ou seja, você acorda um belo dia e sua mãe fisicamente continua sendo a sua mãe, porém por dentro, é outra coisa!

Acompanhamos um grupo liderado pelo médico da cidade tentando entender o que está acontecendo e escapar a qualquer custo, sem ter muitas opções para confirmar, por aqui, todo mundo é suspeito.

Todo o ritmo do livro é bem eletrizante, daqueles que você lê em um fim de semana fácil. Apesar de alguns pontos sexistas (até porque o livro já tem 66 anos), Invasores de Corpos é um grande suspense onde a ameaça é o seu semelhante.

Sabe quando um personagem legal é mordido nos filmes de zumbis e precisa ser sacrificado, mesmo doendo em todos do grupo? Essa é a sensação. E logo eu, a medrosa que tem medo de disco voador, me senti imersa a uma história em que todos são suspeitos e ninguém sabe de fato quem é o culpado. O medo pré-existente contribui bastante, acredito.

Após a leitura, corri para assistir as versões para o cinema, tanto a de 56 quanto a de 78, as mais conhecidas. Ambas são boas, mas deixam a desejar em mostrar toda a riqueza que o livro traz, além de mudarem completamente o final. Posso dizer que se completam, pois partes importantes que não apareceram na versão clássica em preto e branco estão disponíveis na mais “recente”, mesmo transformando o médico em um agente sanitário??!!!

Nem preciso dizer que aqui, o livro ganha dos filmes sim. Confesso que demorou para sair da minha cabeça um certo capítulo, envolvendo um porão.

Refletindo sobre tudo o que passamos de uns 4 anos pra cá, toda invasão, falta de escolha e liberdade, tudo isso vai acontecendo aos poucos, bem na nossa frente. Tem gente que vê, tem quem enxergue e tem quem aceite naturalmente a mudança, sem pensar na consequências.

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária, jornalista e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que vê, tá com o TV Time todo atrasado, viciada em true crime e adora música ruim. Troy and Abed in the moooooorning. Segue lá no TV Time: Naíra Flores / Instagram @Nairaflorex

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: