Crítica | A porrada e a sutileza na ótima Normal People

Sabe quando você assiste algo e precisa fazer com que todo mundo assista também? Olha, a última vez que isso aconteceu comigo, foi com Years & Years e Fleabag. Quase um ano depois, eis que sou surpreendida com essa jóia da BBC/HULU.

Aclamada pela crítica, Normal People é uma adaptação do best-seller homônimo de Sally Rooney. Com 12 episódio de no máximo 30 minutos e protagonizada por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal, a produção por aqui está disponível no streaming da Starzplay.

Quando uma paixão surge entre Marianne e Connell, eles optam por manter o romance escondido, já que ela é vista como a ‘esquisita’ e o rapaz é o jogador popular da escola. Decisão essa que trará danos colaterais ao longo do tempo. Acompanhamos a história do casal, que vai da adolescência até a idade adulta. O vai e vem entre os dois sempre justificado, não tem nada de entediante. Você torce para que fiquem juntos mas entende as separações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O nome da produção não é à toa: pessoas normais = problemas normais. Nada do que acontece em Normal People é impossível de acontecer, principalmente com geração retratada aqui. Descompromissos, falta de comunicação, medo do afeto, amigos, família, faculdade, futuro…. Tudo é muito real. As cenas de sexo são intensas (muita nudez), mas sem alegorias ou apelativas. São na verdade, belíssimas e bem colocadas, assim como a discussão sobre saúde mental, momento esse que rendeu uma indicação ao Emmy a Paul Mescal (Connell), é mais que necessária em tempos como os de hoje.

connell normal people

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A série mostra como a nossa instabilidade emocional afeta tudo ao nosso redor, nos tira do volante. Tudo vai mal se a mente vai mal. A difícil relação entre Marianne e sua mãe e irmão, meio que justificada por um fantasma do passado, escancara como a falta de diálogo, o abuso ao longo dos anos transformam-se em uma família onde os diálogos não são postos a mesa, onde todos machucam e saem feridos. Dessa forma Marianne tenta seguir seu próprio caminho, tentando ao máximo não se deixar alcançar. Quem nunca teve aquela pessoa que te faz mal, suga sua energia? E fica pior quando quem deveria nos defender, assiste a tudo e não se manifesta?

Longe de ser um romance fofinho, Normal People faz você torcer pelos protagonistas e aprender com eles a cada erro e conquista. Triste e inerte, a série mostra o amadurecimento do jovem adulto moderno de forma real, onde andar com as próprias pernas e o fazer valer um amor, não são nada fáceis.

Trailer:

 

 

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária, jornalista e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que vê, tá com o TV Time todo atrasado, viciada em true crime e adora música ruim. Troy and Abed in the moooooorning. Segue lá no TV Time: Naíra Flores / Instagram @Nairaflorex

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