Columbine – DarkSide Books

Desde quando foi anunciado, minha expectativa para o livro Columbine (Dave Cullen – Darkside Books)era grande. Acho que o meu interesse por crimes reais começou naquela terça-feira, 21 anos atrás. Eric Harris e Dylan Klebold realizaram maior assassinato em massa em uma escola dos Estados Unidos na High School Combine no dia 20 de abril de 1999. Foram 15 mortos no total, entre alunos, um professor e os próprios atiradores.

A segurança escolar nunca mais seria a mesma. Na época, eu frequentava o ensino fundamental no Rio de Janeiro, e a minha escola, (localizada dentro de uma base militar), mudou radicalmente o procedimento no momento da entrada para as aulas a partir de Columbine. A segurança desleixada deu lugar ao exagero. Por quase 1 mês, nossas mochilas eram revistadas, foram instalados detectores de metal, e caso alguém tocasse no assunto, já era imediatamente encaminhado a direção da escola para esclarecimentos. Estamos falando a nível de Brasil, que há pouco mais de um ano, viu a mesma tragédia acontecer por aqui, em Suzano.

Quando a Caveirinha me mandou o livro em novembro do ano passado pensei: “esse eu termino em duas semanas no máximo”. Errrr… Não foi bem assim. Veja bem, eu trabalho em uma escola há 8 anos. Ler Columbine quando se é da área da educação e algo totalmente diferente. 

Quanto mais conhecia Eric e Dylan, mais eu via a mesma solidão em vários alunos. Via depressão, ansiedade, bullying acontecer ao mesmo tempo em que postavam um final de semana perfeito no Instagram. Me peguei traçando uma rota de fuga caso isso acontecesse aqui. Tracei, tive pesadelos.  Columbine foi uma leitura muito difícil para mim. Penso em todas as vidas ceifadas tão abruptamente, sequelas físicas, emocionais e cicatrizes não curadas.

Listei as 5 partes que mais mexeram comigo:

1 – O plano que deu errado: que as bombas planejadas para explodirem no refeitório falharam todo mundo já sabe, mas poderia ter sido muuuito pior. Eric e Dylan plantaram bombas do lado de fora da escola, no local em que a imprensa, polícia e familiares estariam presenciando a tragédia. A ideia era que as bombas explodissem enquanto eles viriam de carro atirando, em uma técnica militar, cada um vindo por um lado. Eles já imaginavam essas pessoas ficariam e até os espectadores fora da escola estariam na lista dos mortos. Por algum motivo, as bombas não funcionaram.

2 –  Enquanto o tiroteiro aconteceia, a polícia já tinha alguns suspeitos. Quando pediram para revistar a casa
de Eric, o pai aceitou de prontidão, dizendo que estavam enganados, que conhecia o filho e que com certeza era algum tipo de engano. Então a polícia chega no porão e encontra todo um arsenal de armas, bombas… Muitos culparam os pais pelo crime dos filhos. Imagina o pai, que acredita conhecer o filho, o leva para igreja todo domingo descobrir que o filho é um psicopata? A reação dele com a revelação é tão chocante e dolorosa quanto a de todas as vítimas. As fitas do porão demorariam a ver a luz do dia ainda.

3 – Evidência: Uma das primeiras vítimas do massacre foi alvejada ainda no gramado. O seu corpo ficou do lado de fora da escola por mais ou menos por 48 horas. Vocês têm noção do que é um pai assistir pela tv, várias e várias vezes um helicóptero sobrevoando a escola e lá, estirado no chão, o corpo do seu filho? De acordo com a polícia, o corpo não podia ser retirado por fazer parte da cena do crime. Então ficou lá, pegando sol, chuva, com e sem lençol, como o ponto inicial de um jogo macabro. 

4- As igrejas da região entraram em uma disputa ferrenha por novos fiéis. Aproveitando-se de uma cidade enlutada, religiosos distribuíam panfletos sobre missas, cultos, grupos de oração aos montes em todos os lugares. Os boatos de mártires corriam solto, mesmo com testemunhas provando o contrário. A suposta fé.

5- A cobertura da mídia também é algo a parte. Columbine foi sugada até a ultima gota pelos jornais mundias. 21 anos depois, Columbine teria uma infidade de vídeos com transmissão ao vivo pelo Youtube ou Instagram.

Eric, um verdadeiro psicopata e Dylan, um jovem depressivo e alcoólatra. Muito se questiona, depois de tanto tempo, o que levou os dois a chegarem a este ponto. Matrix, jogos/filmes violentos e até Marilyn Manson receberam os créditos pelo Massacre. Eu acredito em um conjunto de fatores desastroso. O que Dylan tinha de introspectivo, Eric transbordava em auto confiança e liderança. 

Seleção Natural.

Acho que se não fosse Columbine High, seria outro lugar. Apesar de todos os gritos de socorro explícitos ou bem escondidos, ambos dariam cabo em seus planos. Mesmo sem Dylan, Eric seria uma espécie de Unabomber. Já Dylan, se não tivesse um acompanhamento médico,  seria mais um na estática de jovens suicidas. Acabou sendo. 

O autor Dave Cullen traz para o leitor uma visão completa sobre os eventos, mostrando a vida das vítimas após ao massacre que parou o mundo e os efeitos que ecoam até hoje, como um alerta, um presságio em um passado tão presente impossível de ser esquecido.

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária, jornalista e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que vê, tá com o TV Time todo atrasado, viciada em true crime e adora música ruim. Troy and Abed in the moooooorning. Segue lá no TV Time: Naíra Flores / Instagram @Nairaflorex

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: