Avril Lavigne – Head Above Water; Com o Coração Submerso em Águas Negras, Avril nos Mostra seu Mundo Pós Lyme

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Avril Ramona Lavigne foi sem dúvidas um dos rostos mais emblemáticos a surgirem no longínquo ano de 2002. Arrastando milhões de fãs ao redor do mundo, a até então anti Britney, vendia e colecionava records tanto quanto sua ‘’antagonista’’.

Os anos se passaram, as rixas midiáticas ficaram para trás, assim como o frescor efêmero da indústria, que alça popstars ao topo a cada segundo, enquanto outros são levados ao quarto escuro do ostracismo com a mesma velocidade. Entre teorias de conspiraçõa e trabalhos cada vez mais medianos, com Head Above Water, como o título já entrega, Avril tenta apenas sobreviver.

Sem o frescor de Let Go! de 2002 ou a profundidade de Under My Skin de 2004, a artista de 2019 tenta processar em seu trabalho os anos difíceis que atravessou enfrentando a doença de Lyme, que quase ceifou a sua vida. Nesse cenário caótico Avril Lavigne tem muito a dizer sobre si mesma, sobrevivência e liberdade. A contenção, no entanto, e a insistência de ficar na superfície nos deixa no mínimo desapontados.

A faixa título abre o disco já mandando a real sobre os momentos mais escuros enfrentados por Lavigne até então, em forma de prece a canção pode figurar facilmente entre as mais sinceras e honestas de sua carreira. Numa pegada marcante flertando mais com as grandes baladas hard rock do que com o pop punk.

Birdie nos brinda com um vislumbre da capacidade de compositora da canadense. Metafórica, calculada e bem arranjada, é de longe a melhor faixa do disco, as batidas melancólicas aliada ao um canto frágil, mas determinado, dão dramaticidade a peça.

Em I Fell in Love With The Devil o bom ritmo de faixas continua, com uma letra aqui um pouco mais óbvia, porem que se relaciona bem com o que foi apresentado até então, uma Avril ciente de seu passado e sem medo de pôr às claras as águas passadas.

Muito se tenta emular o estilo charmoso da velha Motown, gravadora icônica de R&B do século XX, sem, no entanto, chegar próximo ao impacto daquele estilo. Tem se alguns êxitos pontuais, mas nada que se possa por como regra. Em Tell Me its Over a canadense tenta, acerta as notas, mas falta o swing característico. Vale ponto pela ousadia.

Falando em ousadia, Dumb Blonde é uma prova de coragem para qualquer artista que se submeta a produzir e pior, mostrar para alguém trabalho tão parco, para dizer o mínimo.

A faixa não faz nada de bom pela narrativa belamente construída até aqui. Como ponto de ruptura com um parceiro algoz e autoafirmação, a faixa peca em falta de raiva e força. Energia há de sobra, mas muito mal direcionada. Nicki Minaj some em meio a produção e o que poderia ser um trabalho interessante se torna apenas irritante.

Voltando um pouco o disco par os trilhos It Was in Me, retoma a boa narrativa iniciada e quebrada pela audição do inferno apresentada em Dumb Blond. It Was In Me funciona como um amadurecimento natural as questões levantadas em How Does It Feel? do disco Under My Skin de 2004.

Souvenir e Crush tiram um pouco o foco auto analítico e tangem mais o interesse em um parceiro amoroso, boas faixas para um sábado a tarde de sol tocando em alguma loja de departamentos, nada mais.

O disco segue pelas próximas faixas alterando entre o medíocre, o aceitável e o dispensável. Até chegar em sua finalização com Warrior. A faixa é uma balada que complementa a ideia da primeira música do álbum. Mas aqui Avril não pede por proteção divina, ela se levanta e ela mesma vai enfrentar o dragão metafórico que representa a doença de Lyme. Um fechamento decente para um disco que alterna do bom para o ruim com muita facilidade.

Avril segue por caminhos duvidosos em Head Above Water, entre escolha da capa do disco e algumas faixas dispensáveis, ela apresenta um pouco o inferno que sofreu durante os anos reclusa lambendo suas feridas, aqui literais, sem saber se haveria um novo amanhecer.

Nesse caso o sol surgiu no horizonte e Avril nos manteve apenas na superfície, não nos contando exatamente o que vive nas águas profundas de sua dor. Talvez tenha sido intencional o desbaratinamento do publico quanto a essas questões ou talvez tenha sido isso mesmo. Eu quero acreditar que há um monstro do lago escondido no fundo desse lago e que ela o tenha feito como amigo e os artifícios lançados mão sejam para nos distrair e proteger esse monstro até que ela mesma possa entendê-lo bem.

Nota 6,5/10

Para Ouvir;

Head Above Water

Birdie

I Fell In Love With The Devil

It Was In Me

Warrior

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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