Rocketman – A Fantástica Biografia de Elton John

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Elton John é sem dúvidas um dos personagens mais folclóricos no universo pop. Recordista de vendas e de prêmios, o inglês construiu em seus mais de 50 anos de carreira um legado a ser um marco na historia da música do século XX.

Em 2019 a Paramount traz uma biografia que conta um pouco dessa trajetória, desde a infância até o colapso com drogas e álcool que levou Reginald Dwight, aka Sir. Elton Hercules John, a reabilitação no final dos anos 80. A obra estreia nos cinemas brasileiros no dia 30/05.

O destaque da película fica sem dúvida com o elenco; Jamie Bell está simpaticíssimo no papel de Bernie Taupin, amigo e parceiro de Elton em seus maiores sucessos. Bryce Dallas Howard brilha como a mãe sem coração do protagonista e por fim, Richard Madden como o amante e agente sangue suga.

Mas a cereja do bolo fica de longe com Taron Egerton que interpreta Sir Elton. Taron está um monstro, nos trejeitos, na dramaticidade da medida certa, há muitas cenas fechadas no rosto do ator, onde o mesmo faz transparecer pelo olhar toda a carga dramática cena por cena. Sem contar o sorriso, sensacional!

Taron Egerton canta em todas as musicas, e aqui, ele não tenta forçar uma emulação barata da voz de John, faz mais que isso, usando o mesmo tom faz suas próprias versões das canções sem contudo tirar o brilho das mesmas.

O diretor Dexter Fletcher decidiu por utilizar as músicas e atos musicais com dança e todo tipo de firula, para além de marcar a evolução do artista, trazer um pouco do universo lúdico de fantasia em que muitas vezes Elton John quis trazer ao palco.

Contado a partir do ponto de vista do protagonista numa sessão dos alcoólatras anônimos, já em sua reabilitação, numa clínica em Nova Iorque, vamos sendo levados a construção do mundo do artista, desde sua infância e seu primeiro contato com a musica, até a adolescência e seus primeiros passos no showbizz. Dexter não se preocupa em ser histórico ou documental, leva de forma fluida os acontecimentos sem se preocupar com dados como ano e ordem de lançamento de discos, duas coisas que não são mencionadas. Você se situa no tempo ou pela composição de alguma canção ou pelo figurino ousado. Aliás os figurinos estão deslumbrantes, muitas plumas, lantejoulas e brilho, não era de menos, o artista é um dos pioneiros em ousar no guarda roupas.

A comparação com Bohemian Rhapsody, cinebiografia do Queen é inevitável, porem se na historia de Fredie Mercury, o publico foi em parte poupado dos detalhes mais sombrios do vocalista da banda, em Rocketman esses detalhes como consumo de drogas e homossexualidade são tratados a luz do dia. Seja Elton tendo que lidar com a auto rejeição com sua sexualidade, seja na forma de utilizar narcóticos e álcool para se insensibilizar quanto a um abandono e solidão latentes.

Rocketman é magico, tangível, uma obra que faz jus ao seu objeto biográfico; brega, exagerada, cheia de talento e sobretudo brilhante!

Mais uma vez, Taron Egerton carrega cada segundo em cena com tanta dignidade, talento e simpatia que fica impossível não sair do cinema com a sensação de uma grande viagem no intimo de alguém que se escondia atrás de aparatos visuais e performáticos, que abafavam a carência e a necessidade de ser amado. Taron entrega toda essa complexidade de forma visceral.

Se você é fã vai amar, se você não é, vai passar a ser ou no mínimo passar o resto da semana ouvindo a trilha sonora do filme abaixo.

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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