Robyn – Honey; A Bussola Pop Mais Calibrada do Que Nunca

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Body Talk de 2010 foi um divisor de águas nessa década, foi o trabalho que deu projeção mundial a musicista sueca Robin Miriam Carlsson, ou simplesmente Robyn. No mercado desde os anos 90, foi com esse disco que a artista trouxe para o universo pop uma paleta de sons que deram o direcionamento de trabalhos de sucesso na primeira metade dos anos 2010. Produtores como Shellback, Max Martin entre outros midas da música comercial, assinando as produções de Lorde, Katy Perry, Ellie Goulding e Taylor Swift transferiram muito da genialidade desse disco que é um marco na música dance / pop.

Eis que oito anos depois a sueca lança seu aguardado mais novo trabalho, titulado Honey e apesar de inicialmente mais curto que Body Talk, traz uma nova visão e aproximação a sua arte. São nove faixas que rendem uma audição rica e cheia de detalhes a serem degustados.

O disco abre com Missing U, uma delicada faixa que lembra um pouco de seus trabalhos anteriores, porém traz uma Robyn mais madura e mais sensível.  A faixa fala de um amor que se foi e toda a sorte de tentativas de análises sobre o que representou esses sentimentos para ambos. Já aqui temos o fio condutor de todo o trabalho que é a mais pura melancolia e quem melhor que Robyn para nos fazer dançar e chorar ao mesmo tempo e de forma maravilhosa?

A jovem Zhala divide com Robyn a faixa Human Being, um soft dance com uma pitada deliciosa de Prince. Afinal, nada melhor que celebrar a humanidade do que dançando.

Robyn evoca uma moderna disco com uma pegada Funk com toques orientais em Because It’s Music, que surpreendentemente nos leva aos anos 90 como num sonho lúdico.  A produção é um primor, assumem com a artista os suecos Klas Anlund que já trabalhou com Katy Perry em Prism e Joseph Mount.

Baby Forgive Me e Send To Robin Immediately são duas canções que se fundem e tem um fio logico tanto musicalmente quanto narrativamente. A transição lírica e em quesito de construção sonora é um dos pontos altos do disco.

Honey que dá titulo ao trabalho foi oferecida a Lena Dunham, escritora e uma das protagonistas do seriado Girls da HBO, como um pedido da própria Lena depois de ter inserido Dancing on My Own de Robyn em um dos episódios da série. Honey na época não estava finalizada, mas como um sinal de agradecimento a artista, que é grande fã da série, decidiu finalizar mais rapidamente e mandar para ser inserida na temporada final de Girls.

A música tem uma conotação sexual delicada e quebra um pouco do ar lamentoso das faixas anteriores com um pop mais solar.

Um lounge eletro tropical do fim dos anos 90 é o que é servido em Between The Lines, o clima de flerte avança com as batidas luxuosas da faixa.

Em Beach2k20 o clima de veraneio high tech cheio de sintetizadores traz a paixão da artista pelo samba. Claro que aqui o samba não seria cheio de texturas orgânicas como conhecemos e sim com uma desconstrução calcada na tecnologia e no entendimento de estruturas sonoras que dão aquele ar incrível de vintage futurista. Um laboratório sonoro completo e feito para ser apreciado.

Ever Again encerra a obra da forma que deveria ser encerrada, fazendo uma reflexão entre o que transcorreu ao longo do trabalho e o que o futuro aguarda.

A produção faz as pontes entre o inicio o meio e o fim de Honey funcionando como um perfeito ato de encerramento, mas que deixa aquela vontade de voltar ao inicio e começar a jornada novamente.

Robyn não se deixou intimidar pelo trabalho que tinha a frente, deixou de lado as firulas que a indústria da música faz com quem de repente, se vê como um dos guias das novas gerações de artistas. Algo inverso aconteceu com Sia, que desde que se tomou conhecimento de seu trabalho avassalador e rico, tem sido sugada ano após ano pela indústria. Robyn continuou trabalhando com o coração ao que construiu com suas mãos e com quase uma década de diferença de um disco para outro, algo que a Sade faz muito bem, conseguimos perceber que o amadurecimento foi avassalador e como um bom vinho a sueca continua num caminho de boa maturação trazendo sabores cada vez mais impares.  Segundo as palavras da própria; “Now I can see life the curve of life happening in a certain way. But because of that, I feel much freer as a person. // Agora eu posso ver a curva da vida acontecendo de uma certa forma. Mas por causa disso eu me sinto muito mais livre como pessoa.”

Nota; 10/10

Para Ouvir;

Missing U

Because It’s Music

Send To Robin Immediately

Honey

Beach2k20

Ever Again

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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