Pabllo Vittar – Não Para Não; Na Pressa, Pabllo Atropela quem Estiver na Frente, Inclusive sua Música

Na onda que surgiu em meados de 2015 e 2016, da exaltação das Drags Queens internacionais oriundas de RuPauls Drag Race, que lotavam as casas noturnas Brasil a fora com seus espetáculos musicais autorias. Uma leva de artistas LGBT’s começaram a despontar no cenário nacional e a maior expoente dessa leva, que tomou de assalto todos os meios midiáticos, é sem dúvida Pabllo Vittar. Inegável o impacto de Pabllo Vittar no cenário da música pop dessa década, tanto no Brasil como fora dele, sendo apadrinhada por nomes como Diplo do Major Lazer e Charli XCX.

E em meio a tanto Hype, Pabllo lança seu mais novo trabalho; Não Para Não. Se trata absolutamente de um disco brasileiro feito aos moldes do que se tem produzido nos inferninhos ao redor do país. O disco acerta em utilizar uma linguagem que transita bem entre diversos públicos, e para isso utiliza produções que vão do Funk ao brega, passando pelo Axé.

As colaborações também são um ponto forte nessa empreitada de abraçar o mundo e agradar todo o tipo ouvintes. A diversidade e a identidade com ritmos populares, principalmente do norte do país é o que mais se tem de interessante no trabalho, porém o lírico carece de sustância para fazer o disco parar em pé.

Com composições simples, as músicas se tornam risórias pelos motivos errados, a pobreza na construção das letras faz um poeta iniciante soar mais como um Pablo, Neruda do que Vittar.

Com mais tempo de bagagem e muito mais verba que em seu trabalho anterior, era de se esperar mais capricho nesse álbum, mas tudo parece ter sido feito às pressas, numa ânsia que tudo se acabe logo. Nenhuma música do curto disco, são dez faixas, passa dos três minutos.

Nunca se exigiu muito conteúdo em músicas feitas para rebolar e se jogar nas festas, porem para uma artista que quer se levar a sério e tem tomado para si as rédeas do pop nacional, era esperado um pouco mais de capricho no novo trabalho. Havia sido divulgado que o disco traria engajamento por causas sociais, porem se limita a péssima Ouro, parceria com Urias, que nem chega perto da maravilhosa e cheia de coração, Indestrutível, de seu álbum anterior, o Vai Passar Mal.

Falando em parceria, a química de Pabllo com o pagodeiro Dilsinho, rendeu a melhor música do trabalho, o que não é um mérito muito grande. Trago seu Amor de Volta tem uma pegada gostosa de Axé, com muito romantismo e bom humor, referenciando aquelas propagandas que vemos coladas em postes em todo Brasil.

Disk Me, atual single de Vittar, também tem seu brilho, mas é uma balada que fica bem aquém do apelo pop de K.O. por exemplo. Destaque para os bons vocais de Pabllo.

Não vou deitar é um gostoso forró com toques contemporâneos que contagia e faz referências as famigeradas “sofrências”, muito populares no nordeste e norte.

Evocando os vocais das grandes divas do euro dance dos anos 90, Seu Crime dá pistas que estamos diante de uma Pabllo de coração partido e que busca a redenção de um sentimento que não vingou.

Os pontos altos do disco sem duvidas são as produções, mixagens no ponto e trazendo uma variedade enorme de ritmos brasileiros e com uma linguagem pop bem-feita, que é eficiente em se comunicar com vários nichos sem perder a identidade. Os vocais de Pabllo também melhoraram bastante e soam mais brilhantes e um pouco menos incômodos.

O maior problema de Não Para Não, intencional ou não, é a velocidade em que somos devastados pelo disco, que atropela tudo pela frente e entrega freneticamente uma variedade imensa de coisas acontecendo ao mesmo tempo, como colocar todos os sabores de bala ao mesmo tempo na boca, não se consegue identificar ou aproveitar o sabor de nenhuma, e o saldo é amargo.

Como já dito, as letras têm bons sentidos, mas são mal escritas, passando um ar de preguiça dos compositores, e o brasil sendo berço de excelentes letristas, ficamos meio sem entender o motivo de tanta pobreza.

Não Para Não poderia ter sido melhor aproveitado se lançado naquele período do ano, entre as férias e o carnaval, com o sol a pino e o clima de descontração, com certeza seria uma tacada de mestre, e o álbum contribuiria e muito para esse período notório de alegria nacional. Porém lançar um disco descompromissado, vendido com uma capa de engajamento, as portas de eleições polemicas e sem conteúdo que faça jus a essa tal militância, é ligar um freezer no Alasca.

Nota; 4,0

Para Ouvir;

Seu Crime

Disk Me

Não Vou Deitar

Trago Seu Amor De Volta feat. Dilsinho

 

 

https://www.pastilhadrops.com.br/2018/10/05/pabllo-vittar-nao-para-nao-na-pressa-pabllo-atropela-quem-estiver-na-frente-inclusive-sua-musica/

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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