Troye Sivan – Bloom; O Florescer do Futuro da Musica Pop

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O jovem Troye Sivan fez um decente debut com Blue Neighbourhood de 2015 e é em seu novo trabalho, Bloom, que o sul africano radicado na Austrália, demonstra seu talento aqui lapidado e com novos espectros de luz e sombras.

Seventeen abre o trabalho versando sobre a habilidade juvenil de idealizar o amor e o choque de realidade. Se trata das aventuras românticas de Sivan quando era adolescente e buscava o amor em aplicativos de pegação. A faixa transita da atmosfera romântica a crueza dos relacionamentos com homens mais velhos, que estavam mais preocupados com uma boa noite de sexo do que com devaneios românticos pueris. A letra tem colaboração da queridinha do indie Allie X.

My! My! My! é o primeiro single do disco, se trata de uma bem construída e dançante faixa pop que explora mais uma vez o romance e idealizações amorosas, mas de forma bem mais divertida. Fala sobre abraçar e assumir um sentimento sem medo.

The Good Side diminui um pouco o a frequência dançante e traz uma balada bem comprometida, principalmente com a estética folk do fim dos anos 60. Troye mostra que está fazendo a sua lição de casa e explorando estilos interessantes dentro da musica pop.  O único problema aqui é a quantidade de gente para compor dois versos, uma ponte e um refrão; seis pessoas; Troye Sivan, Leland, Bram Inscore, Allie X, Ariel Rechtshaid & Jam City.

Oscar Holter assina a produção da faixa que dá titulo ao disco, a explosiva e provocante Bloom.

Musicalmente é um pop contemporâneo, o que significa que carrega uma tonelada de referências aos anos 80 e 90 além de um Q de indie neon. A faixa não faz feio em nenhuma festa e é cheia de energia do início ao fim. Liricamente temos aqui um tema pouco abordado no universo musical, a primeira noite de um garoto gay.  Tudo é construído com naturalidade, inteligência e sem clichês.

Falando de um cartão postal que nunca chegou ao destinatário, Troye e Gordi se unem em Postcard uma bonita e sensível balada.

Ariana Grande assume com Sivan o comando de Dance to This, fazendo uma ode aos festeiros que curtem se divertir em casa, de preferencia com uma boa companhia.

What a Heavenly Way to Die começa dar ao trabalho um gostinho de já ouvi isso antes e esse é o maior defeito de Bloom, a monotonia que se apodera da obra conforme se habitua com as músicas. De qualquer forma é uma balada mediana, que pode embalar tranquilamente um saguão de espera, um elevador ou mesmo um jantar romântico.

Lucky Strike é interessante pois traz Troye assumindo a composição com apenas um parceiro, Alex Hope, dando mais direcionamento a obra. Falando sobre como o amor é um golpe de sorte, somos imersos em uma boa produção também assinada por Hope.

Animal, uma balada sobre ânsias de um amor devastador que não mais pode ser contido, fecha o trabalho de forma decente. É uma profusão de hormônios, desejo e torpor juvenil. Saudosismo puro para quem já passou dessa fase e se lembra dos seus bons tempo e uma forma de comunicação precisa aos jovens que ainda se identificam com essa ferocidade.

Bloom fecha com 10 faixas em sua versão standard, uma ótima quantidade que não satura nem deixa faltar. O maior defeito do disco é a monotonia que pode assolar a produção depois de passada algumas músicas, a necessidade de tudo ter as mesmas graduações de cinza, do mais claro ao escuro, dá certo cabresto num trabalho que tinha tudo para borbulhar em cores e paisagens maravilhosas. O excesso de mãos em faixas não muito complexas em seu lirismo também atrapalha, faz perder justamente o ponto de maior interesse; o tom confessional de um jovem gay do século XXI.

Positivamente é um disco de seu tempo e com potencial de elevar Troye Sivan para outro nível e é sem duvidas uma evolução. Nos resta acompanhar o novo capítulo da efêmera atmosfera pop contemporânea.

Nota 7,5

Para Ouvir;

Seventeen

My! My! My

Good Side

Bloom

Lucky Strike

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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