Madonna – Ray Of Light; Revisitando Umas das Joias Mais Preciosas da Coroa da Rainha Do Pop

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Vamos começar a partir de hoje uma nova sessão aqui no Pastilha, resenhas de albums que fizeram história e marcaram a cultura pop. E para iniciar os trabalhos, selecionamos uma das aniversariantes mais celebres do mês de agosto, Madonna, que faz 60 anos no próximo dia 16.

Se a Discografia de Madonna compusesse uma coroa, a ser posta acima da cabeça da própria, Ray Of Light de 1998 seria a joia central no diadema. Um diamante translúcido refletindo cores variadas dependendo da iluminação recebida, reinando soberano no centro da testa da rainha do pop.

No início da década de 90, Madonna chocava o mundo com seu livro SEX, seguido de um dos seus álbuns mais controversos, o Erotica de 1992. Depois de muita polêmica, a rainha do pop iniciou uma cruzada de limpeza de imagem e a busca por mais seriedade dentro do âmbito cultural. Era preciso mudar, e essa mudança culminou no álbum Ray Of Light, lançado em 1998 e mais uma vez Madonna sacudiu as estruturas do universo pop e da música.

A busca pela sinergia espiritual da americana apareceu previamente em trabalhos como Like a Prayer de 1989 e Bedtime Stories de 1994, porém aqui as coisas se tornaram bem mais sérias e pungentes. Bebendo da cabala e das religiões orientais, Ray of Light foi um divisor de águas dentro da carreira de Madonna, a Material Girl parece ter encontrado finalmente a paz, acompanhada da maternidade. Em 1996 nascia sua primeira filha, Lourdes Maria Ciccone Leon, conhecida também como Lola, fruto do seu namoro com o dançarino Carlos Leon.

Acompanhada do inglês William Orbit e seu fiel escudeiro desde os anos 80, Patrick Leonard, o sétimo disco de inéditas da artista flertava com o Techo, música eletrônica, trip hop, rock e música clássica.

O disco abre com a balada introspectiva Drowned World / Subistitute for Love, onde Madonna disserta sobre a fama, a maternidade e o amor verdadeiro. A faixa foi o terceiro single do disco e o ato de abertura da turnê conjunta com o disco Music de 2000, titulado Drowned World tour em 2001.

Os vocais da artista tiveram uma significativa mudança, trazendo uma voz mais limpa e cheia. Resultado do trabalho vocal no premiado musical cinematográfico Evita, onde Madonna interpretava a esposa do presidente argentino Carlos Perón.

Em Swin Madonna reflete sobre problemas sociais como a violência e ainda sobre a passagem do cometa Halley, além de fazer um contra ponto com a espiritualidade, um primor; “Children killing children. While the students rape their teachers, Comets fly across the sky, While the churches burn their preachers / Crianças matando crianças. Enquanto os estudantes violentam seus professores, os cometas cruzam o céu, enquanto as igrejas queimam seus pregadores”.

A faixa título do álbum, Ray of Light, entrega uma frenética atmosfera rock mixada com o melhor que a música eletrônica poderia oferecer nas mãos de Orbit, uma catarse completa para sua criadora e seus ouvintes. Madonna alcança em Ray of Light suas mais altas notas e um hit que definitivamente guiou os caminhos dos artistas pop que vieram depois. O segundo single do trabalho foi um sucesso radiofônico e conferiu a Madonna o VMA de vídeo do ano na premiação de 1998. Composta e co produzida pela sua intérprete, a canção é até hoje um ponto alto de suas turnês.

Candy Perfum Girl, é uma mostra que mesmo num período mais sério e comportado de sua carreira, a sensualidade ainda era latente, aqui co composta com Susannah Melvoin.

Até aqui Madonna o disco se mostra ousado, conceitual e flamejante. Porém é em Skin, a quinta faixa, que começamos a jornada verdadeiramente espiritual da obra.

Skin dialoga com o techno e dá um preludio do que se ouviria nas pistas de dança na desada seguinte, com Gigi Dagostinno e Lasgo por exemplo. A letra evoca uma conexão com o tema de vidas passadas, o que deixa tudo muito mais interessante, de longe uma das melhores músicas da carreira, principalmente por seu teor a frente do seu tempo.

Nothing Really Matters é uma das favoritas dos fãs e a canção escolhida para ser apresentada no Grammy de 1999 onde Madonna levou quatro gramafones para casa.

Seguindo a vibe espiritual, a faixa expurga alguns dos demônios mais característicos da artista, como o apego exacerbado ao materialismo. Se no início do disco já tenhamos o vislumbre do amadurecimento pessoal e profissional da rainha do pop, aqui deslumbramos com mais clareza.

Apaixonada pela Ioga, Madonna não pensou duas vezes ao interpretar dois escritos clássicos da modalidade, que se popularizou rapidamente no final dos anos 90. E Sky Fits Heaven é a transcrição em inglês de um mantra em sânscrito e hindu, feita por Madonna e Orbit. A faixa ainda faz uma ponte com Bedtime Story, escrita por Bjork, presente no disco Bedtime Stories de Madonna em 1994.

Shanti/Ashtangi, a oitava faixa do trabalho, também é um texto em sânscrito, aqui cantado em literalidade. Tratando se de uma mescla de mantras hindus, baseando se na visão ocidental da cabala.

O primeiro single do disco, Frozen, fez um enorme sucesso nas rádios a época de seu lançamento, colocando Madonna de volta ao jogo e deixando mídia e publico de boca aberta a nova incursão da americana, foi o primeiro relance ao que viria a seguir. Frozen foi vazada na internet dias antes do seu lançamento, causando grande polêmica na época, levando as gravadoras a discutirem esse tipo de conduta, quase inédito até então. Produzida por Madonna e William Orbit, a faixa foi aclamada pelos criticos e elevada ao status de obra prima. Seu video se tornou icônico dentro da videografia da cantora, por trazer vários efeitos eletrônicos que mesmo vinte anos depois, pouco envelheceram.

The Power of Goodbye é uma faixa que mescla o trip hop com a música eletrônica e foi sucesso absoluto nas rádios dance e adulto contemporâneo. Se tornando o quinto single do disco.

Mantendo a linha espiritual, To Have and Not To Hold, versa sobre os valores realmente necessários na vivencia humana, fazendo conexão a faixa Frozen. A sua produção conta com elementos explícitos da bossa nova, tanto na harmonização quanto na instrumentalização. Bossa nova com música eletrônica e evocações de mantra, que mistura sensacional.

Little Star é uma faixa maternal que encaminha a finalização do trabalho, mesclando elementos eletrônicos e música clássica.

Mer Girl é uma faixa intimista composta inteiramente por Madonna que fecha o disco de forma digna, trazendo um poema confessional que passa pelos caminhos tortuosos e metafóricos propostos durante toda a obra.I ran and I ran, I’m still running away/ Eu corri e corri, ainda estou correndo”.

Ray of Light é um marco no amadurecimento e mudança de rumo artístico da maior popstar da história. É incrível como ainda podemos considerar o trabalho contemporâneo e ver suas influências circulando do indie ao pop de forma fluida. Madonna não leva para si exclusividade nos temas orientais, longe disso, mas que é sua a responsabilidade quando artistas da nova safra como Katy Perry, Lady Gaga ou Ariana Grande o utilizam, isso é inegável. Longa vida a Ray of Light e que deus salve a rainha.

 

Para Ouvir

Drowned World / Substitute For Love

Swin

Ray Of Light

Skin

Nothing Really Matters

Sky Fits Heaven

Frozen

To Have And Not To Hold

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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