Christina Aguilera – Liberation; A Conciliação Artística de Coração e Alma

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Christina Aguilera é uma das vozes mais marcantes da história recente da música pop, seus timbres e a aparente facilidade com que consegue alcançar as mais elevadas notas, a coloca de certa forma no mesmo patamar de outras artistas que possuem tal talento nato, como Celine Dion, Mariah Carey e a maior de todas Whitney Houston.

Porém o que faltava a Aguilera era um trabalho onde esse talento nato pudesse ser explorado e posto à prova, e parece que isso finalmente aconteceu.

Em seu novo trabalho, Liberation, a cantora explora de forma versátil sua potente voz, entregando as vezes seus famosos agudos, ou fazendo outras manobras vocais mais suaves que são um deleite.

Embora Stripped de 2002 e Back to Basics de 2006 sejam excelentes discos e joias na carreira da cantora, Liberation parece finalmente trazer de volta a essência perdida no bom, mas confuso Bionic de 2010 e no descartável e plástico Lotus de 2012.

Musicalmente o disco segue a tendência que está em alta nessa década, de fazer odes ao empoderamento feminino, tão necessário em tempos em que as sombras do recesso se fazem presentes. Seguindo a linha de artistas como Alicia Keys e Beyoncé, Christina traz sua visão da vida agora, depois de altos e baixos, maternidade e uma chuva de críticas que a fizeram colocar a sua famosa ‘arrogância’ de lado e entregar completamente despida um trabalho que exala alma.

Liberation e Searching for Maria se tratam de uma intro e de um interlude que abrem o disco, aliás encher o trabalho de apresentações e transições entre as faixas, era uma característica interessante nos discos de Christina e parece que está de volta.

Maria é efetivamente a primeira faixa do álbum e traz uma conversa pra lá de séria da artista com ela mesma e com a sociedade, como aquelas broncas e desabafos que fazemos diante um espelho. A música é sensível e forte ao mesmo tempo, uma ótima forma de abrir o trabalho.

Sick Of Sitin’, gravada com banda completa, é um deleite, a voz soul de Cristina acompanhada de um funk delicioso amarrado com uma guitarra elétrica traz toda uma atmosfera a lá Janis Joplin e nos transporta a um grande festival dos anos 70. Uma das melhores da carreira da moça sem dúvida, aliás Christina nunca soou tão Michael Jackson como aqui.

O manifesto Dreamers amansa o clima para preparar o ouvinte para a poderosa Fall In Line, parceria com Demi Lovato.

O R&B toma conta da obra em Right Moves e Like a Do. Enquanto Deserve mostra uma outra faceta, um tanto mais experimental que da um certo frescor a obra como um todo.

Twice é Christina Aguilera dos pés a cabeça, é o que se espera ouvir num disco da cantora, e ela não faz feio, com uma letra pra lá de pessoal.

I Don’t Need It Anymore é uma interlude para o segmento mais sexy do disco, que segue com o single Accelerate, que aqui se encaixa muito bem e com a cheia de más intenções Pipe, parceria com XNDA.

Masochist é uma balada confessional que prepara o ouvinte para os momentos finais do disco e amarra o conceito do álbum como um fazedor de pazes entre a cantora e ela mesma, com a participação dos fãs.

Unless It’s With You fecha trabalho e é onde Aguilera solta o freio e entrega todos os ‘aguilerismos’ que estamos acostumados, muitos gritos e manobras de arrepiar.

Em Liberation Christina Aguilera faz as pazes com a sua arte e consigo mesma, trazendo de volta a luz seu coração e acima de tudo sua alma. Talvez não tenha um retorno comercial como o esperado para um artista de seu calibre, acostumada em outrora com cifras na casa dos milhões. Mas como arte, é um triunfo sobre os períodos nebulosos que sua carreira passou nessa década.

 

 

Nota 8/10

Para Ouvir;

Maria

Sick of Sitin’

Fall In Line feat. Demi Lovato

Like I Do feat. GoldLink

Deserve

Twice

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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