Pelo Próprio Tapinha nas Costas

https://www.pastilhadrops.com.br/2018/06/14/pelo-proprio-tapinha-nas-costas/

Preciso da sua aprovação. Sei lá, preciso. Preciso que você concorde. Preciso do seu sim.

Dizem que devemos comemorar as pequenas vitórias do dia a dia. Acordou? Parabéns, mais uma estrelinha dourada na conta. Mas fazer o quê se dá um medo danado quando tudo começa a dar certo e a sensação de que ‘vem merda por aí’ está no ar?

Chorão, quando os dias de glória chegam mesmo?

Até quando conseguimos corresponder a um cronograma, prazo ou meta pessoal, o vazio da aprovação de terceiros continua lá. Falta alguém que dê o tapinha nas costas. Um tapinha específico, vindo daquele que você quer tanto impressionar. E mesmo que tenha, nem sempre é suficiente. Às vezes não ter o reconhecimento faz com que toda a empreitada tenha sido em vão, que nada valeu a pena. O dever a ser cumprido foi cumprido, now what?

A gente é muito besta mesmo. Sério. Queremos a aprovação dos pais, dos irmãos, do parceiro, do chefe, do Tinder, do Instagram…. Não precisa ser com palavras: basta um olhar, um aceno, um sorriso ou até um joínha. Em certos momentos, queremos o carimbo até de quem a gente nem gosta, mas esse já é outro caso.

É coisa de outro mundo pensar o quanto somos projetados para aguardar o petisco após uma ação correta. Fui bem? Fui ótima! Alguém liga? Não! A gente se mata no TCC, na academia, no trabalho, em casa… E o que ganhamos? Ansiedade, pânico, dores de cabeça e insatisfação. Insatisfação de algo que não sei explicar. É tipo um sopro quente vindo de fora, direto para o coração, fazendo com que ele acelere, a respiração fique ofegante e do nada, do nada mesmo, se transforma em choro. Um choro incontrolável, fruto de um momento de vulnerabilidade, mais uma vez sem saber o porquê. Descontamos em quem não deve, sofremos por problemas que nem temos. O que você vê como defeito o outro enxerga como qualidade. Aliás, nossas qualidades passaram apenas para entretenimento alheio. Nós esquecemos da gente.

Nesses momentos surgem as pessoas que se deliciam com a sua miséria. Pessoas que não ficam feliz com o seu sucesso ou não suportam a ideia que você saia da deprê. Te querem assim, para baixo. Vampiros. Querem ser a mão que te puxa, os que dizem a quatro ventos o quanto te ajudam. No guarda-roupa, penduram a capa e o uniforme de super-heróis. Na mesa do bar, a sua ‘frescura’ vira tema de conversa. É complicado não querer sair de casa e ficar triste quando os convites param de chegar.

Pessimista. Exagerada. Fresca. Dramática. Tá desse jeito por que quer. Não sai porque não quer.

O que eu penso de tudo isso? É que a gente se cobra demais. Por mais que existam pessoas ruins, as que você realmente pode contar estarão lá, cada uma do seu jeito. Ninguém está te obrigando a dizer como se sente todos os dias. Mas não fique envergonhada de pedir um colo de quem se preocupa com você. Deixe essa pessoa entrar, quem quer que seja. Fique mais leve. Sinta-se leve. Aceite o elogio, aceite a crítica construtiva.

Estamos aqui para te lembrar que estamos aqui.

Nunca por um segundo pense que está sozinho, não se atreva! Nós somos a sua aprovação, mesmo que não queira uma. Mesmo que não precise de uma. Você não precisa de uma. Pode ser um abraço ou ficar em silêncio junto. Chamaê.

Estamos aqui para te lembrar que estamos aqui

Precisamos aceitar que nem todo mundo é ruim, precisamos acreditar no clichê de que tudo passa (e passa mesmo viu?!).

Precisamos aceitar que somos fodas, precisamos nos aceitar.

Precisamos ora brilhar, ora se aplaudir.

Precisamos ser responsáveis pelo próprio tapinha nas costas todos os dias.

 

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que assiste, tem 72 séries na grade e adora música ruim. Friends > Will & Grace >HIMYM. Instagram: @Naira.Flores

2 comentários em “Pelo Próprio Tapinha nas Costas

  • 14 de junho de 2018 em 19:36
    Permalink

    Adorei, Naira! As vezes esse auto tapinha não vem o dia que mais precisamos, mas no dia seguinte a gente providencia né? Beijo

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