Lily Allen – No Shame; A Artista Vai Fundo Em Seu Reencontro Criativo

https://www.pastilhadrops.com.br/2018/06/11/a-artista-vai-fundo-em-seu-reencontro-criativo/

A inglesa Lily Allen atravessou a última década sendo aclamada e criticada por dois fatores cruciais em sua vida; a sua música e boca ferinas.

O sucesso estrondoso de Alright, Still (2006) e a consolidação no delicioso e pop It’s Not Me, It’s You (2009) até sua ultima empreitada pelo mundo da maternidade em Sheezus (2014).  Allen chega em No Shame, seu novo trabalho de inéditas, calejada e ciente de seu papel no universo da música pop britânica.

Depois de uma dura separação e problemas pessoais dignos de uma Rockstar, o novo disco aborda de forma sofrida as intempéries dos dias conturbados de Lily.

O Refrão em Come on Then, faixa de abertura do álbum, já deixa evidente o estado de espirito de sua criadora e o Norte entre vida doméstica e vida de celebridade, que permeia o disco

‘’ Yeah, I’m a bad mother, I’m a bad wife. You saw it on the socials, you read it online / Sim, eu sou uma mãe ruim, eu sou uma esposa ruim. Você viu nas redes sociais, você leu online “

Trigger Bang, parceria com Giggs, traz a acidez e deboches típicos da artista, porém aqui um pouco mais amargas do que de costume. A letra é um desabafo sincero.

What You Waiting For? é um pop regado a elementos de trap, dream pop e ska que funciona bem para as rádios. Assim como a faixa seguinte, que flerta com a música negra caribenha, parceria com Burna Boy.

Lost My Mind lembra o saudoso It’s Not Me, It’s You, enquanto Higher abre a sucessão de ótimas baladas do disco. Com destaque para as sensíveis e sentidas Apples e Three.

Lily possui uma ilha na Jamaica, talvez por isso tantas influências da música daquela parte do mundo no novo trabalho da artista e a divertida Waste, parceria com a rapper Lady Chann, prova que o céu começa a clarear no fim do disco.  My One, Pushing Daisies completam essa guinada criativa.

Cake evoca os bons momentos de Alright, Still de 2006 com um eletro blues envolvente que fecha com chave de ouro.

Encontramos na Lily Allen de 2018 uma mulher cheia de feridas e magoas, mas disposta a deixar o tempo ruim para trás. O bom humor continua ali, a espreita, mas No Shame é mais sério e extremamente necessário, depois do pretencioso Sheezus, é uma limpeza e reencontro com uma das artistas mais talentosas da nossa geração.

Nota 9/10

Para ouvir;

Come On Then

Trigger Bang feat. Giggs

Lost My Mind

Apples

Three

Waste

Cake

 

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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