Shawn Mendes – Shawn Mendes; Em Busca de Uma Identidade o Canadense Se Perde Em Influencias Já Saturadas

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Desde a massificação da música pop há mais de 6 décadas, centenas de rapazes bonitos já levaram milhões de garotas e garotos a loucura com uma formula bem simples; uma boa voz, um certo talento com o violão e muito charme. Passando por aquele que talvez seja até hoje o símbolo máximo desse nicho, Elvis Presley. Quem até hoje não se derrete com o rei do rock cantando a sombria Are You Lonesome Tonight? Ou a solar Can’t Help Falling in Love, acompanhada por um Ukulelê?

Em 2018 bem longe dessa nostalgia toda, temos o astro pop do momento Shawn Mendes e seu novo trabalho autointitulado, cumprindo essa lacuna de levar as (os) adolescentes a loucura. Shawn é conhecido pela sua beleza e simpatia, principalmente com as fãs, distribuindo um sorriso largo por onde passa.

No quesito musical o canadense soa monótono, tocando uma nota só em todos os albums lançados até aqui. As tentativas em tentar levar o trabalho com mais seriedade soam genuínas, porem caem por terra devido ao único tom apresentado sucessivamente pelo artista.

Em seu novo trabalho não é diferente, a voz arranhada do rapaz abre em In My Blood o seu novo disco. Escrita por Shawn Mendes, Geoff Warburton, Teddy Geiger e Scott Harris, a letra é um tanto sombria e apresenta seu personagem envolto em conflitos que não consegue superar sozinho. É um soft rock com muita cara de trilha de serie dos anos 2000 como Smallville.

Nervous da uma esquentada no clima, com uma letra mais iluminada, mas aqui por luzes neon. As influências do jovem Justin Timberlake e de um Maroon 5, antes de ambos ficarem perdidos e chatos demais, são claras.

As próximas Lost in Japan e Where Were You In The Morning? Seguem no mesmo ritmo de Nervous, sem literalmente nenhum solavanco. E nessa ultima o rapaz tenta sem sucesso por seus vocais a prova.

Depois de muitas estripulias e firulas, o álbum se torna interessante novamente na faixa 9, Because I Had You, quando o moço finalmente volta para a guitarra acústica. “Should’ve told you not to go. Thought I knew just what I wanted, I didn’t know myself at all / Deveria ter dito para não ir embora. Pensei que eu sabia exatamente o que eu queria, mas eu não me conhecia tão bem.” Esse pequeno trecho resume um pouco a percepção que se tem do disco como um todo, onde vamos aprofundar nas considerações finais.

Se Queen fosse uma faixa de Taylor Swift ou de qualquer outra artista pop, os tabloides seriam tomados por manchetes sobre para quem especificamente essa música estaria endereçada, mas Shawn sendo um artista masculino, simplesmente será ignorada.

A parceria com Khalid em Youth não empolga. O que poderia ser a oportunidade de dois artistas da nova geração falarem com os seus respectivos públicos geracionais é desperdiçada.

As baladas Perfect Wrong e When You’re Ready encerram o trabalho, aqui já exaustivo.

Emulando John Mayer, Adam Levine, Justin Timberlake, Ed Sheeran entre muitos outros, Shawn Mendes acaba se parecendo com tudo, menos com ele mesmo. E nisso voltamos a aquela frase chave da faixa Because I Had You; “Pensei que eu sabia exatamente o que eu queria, mas eu não me conhecia tão bem.” Em um mercado cheio de artistas autorais brilhantes, encontrar seu rumo em busca de autenticidade pode ser um diferencial fundamental entre a vida e a morte numa indústria tão frívola a dada a soterrar artistas com produtos mais novos vez após vez.

 

 

Nota 4/10

Para Ouvir;

In My Blood

Nervous

Fallin All In You

Because I Had You

 

 

Allison Gui

Jornalista de coração, apaixonado pelo áudio visual e há três décadas deslumbrando o maravilhoso mundo da cultura pop e apaixonado pela arte dos sons AKA música! Cher é minha pastora, mesmo que eu ande pelo vale da sombra do Flop, a música não me faltará.

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