Kacey Musgraves – Golden Hour; A Espetacular Obra da Amazona Solitária do Country

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Kacey Musgraves é uma joia rara dentro do cenário musical dos dias de hoje, não apenas no universo country, mas de uma forma geral, a texana consegue passar sentimento, critica social, apego as novas influências e isso tudo soando como uma jovem Dolly Parton / Willie Nelson.

A jovialidade, bom humor e acidez com que trata os assuntos mais diversos, embalados por composições do cancioneiro americano, dão lugar a um tom mais sério em Golden Hour, novo trabalho de inéditas de Kacey.

Bebendo, segundo a mesma, de influências como Sade, Bee Gees e Neil Young, Musgraves consegue misturar tudo isso dentro de um caldeirão country e entregar sem dúvidas um dos melhores trabalhos da década e superar seu espetacular Same Trailer Different Park de 2013.

Enquanto que em Same Trailer Different Park (2013) e Pageant Material (2015), o bom humor era um contraste interessante em relação as canções mais sentidas, em Golden Hour o tom é um pouco mais sério e o humor mais delicado.

As metáforas sobre a natureza contidas na narrativa tornam as estrofes inteligentes e ridiculamente espetaculares de lindas.

Slow Burn abre o disco com um jeito descompromissado que vai se expandindo como uma brasa aquecendo devagar o restante da lenha até que quando menos se perceba tudo está repleto de som e poesia.

Lonely Weekend segue a narrativa com a inserção dos primeiros instrumentos eletrônicos dos 70’s e início dos 80’s. O que dá a tudo um ar surpreendentemente bucólico, soando doces e despreocupados, envolvendo as cordas, percussões e a doce voz de Kacey. Música para bater o dedinho no volante quando se vai viajar.

Butterflies é o terceiro single do disco e é a faixa que mais lembra os trabalhos anteriores da moça.

A voz robótica estilo Daft Punk invade os primeiros versos de What a World, uma das melhores produções da carreira de Kacey e uma das melhores faixas country em muitos anos.

A curta Mother, é sobre uma experiencia que a texana teve com LSD, onde tudo que ela pode pensar naquele momento é a falta que faz a mãe.

A segunda parte do disco começa com Love Is a Wild Thing, que recupera o ritmo e traz uma atmosfera de entardecer ao trabalho que a partir daqui irá começar a ganhar tons mais puxados para o noturno. Uma das melhores do disco.

Kacey conta que estava em um haras olhando os cavalos próxima da cerca, quando um deles veio em sua direção em alta velocidade e ela instintivamente fechou o portão para ele não escapar e o cuidador soltou uma frase que está presente na canção e ela não conseguiu tirar da cabeça; ‘’ When a horse wants to run, ain’t no sense in closing the gate / Quando um cavalo quer correr, não faz sentido fechar o portão’’.  Assim surgiu a ideia para compor Space Cowboy. A faixa é como aquela estrela que brilha no céu ao anoitecer quando ainda há luz solar no horizonte e depois de um tempo, quando você finalmente a nota, se maravilha com o poder do universo. ‘’ You look out the window, while I look at you. Sayin’ I don’t know, Would be like saying that the sky ain’t blue / você olha pela janela, enquanto eu olho para você. Dizendo que não sei, seria como dizer que o céu não é azul ‘

A pop Happy & Sad versa sobre ansiedade e inseguranças e em como as sensações podem mudar em instantes. No mundo contemporâneo muita gente pode se identificar com a volatilidade dos sentimentos ambíguos descritos aqui.

A sexy e divertida Velvet Elvis traz um pouco de dourado brilhante a obra até então um tanto melancólica. E Wonder Woman segue puxando para cima a energia do álbum, se destacando com uma das faixas mais gostosas da carreira da moça.

E o ápice da energia resulta na brilhante High Horse, que fecha essa sessão mais pop, com uma vibe Disco/Country de primeira e uma letra deliciosamente acida. É para se sentir em um clube no interior nos anos 70, entregue a disco music dos Bee Gees, mas também preservando aquele country chic de Dolly Parton.

A faixa título do álbum deixa o ambiente a partir daqui mais intimista e confessional. Onde a texana declara todo o seu amor a alguém que tornou seu mundo interior e exterior mais vibrante. E a delicada Rainbow fecha com mérito o trabalho.

Tudo aqui respira, pulsa e vibra, as vezes devagar, as vezes mais dinamicamente veloz, mas de toda forma a obra funciona como uma ode ao amor próprio e a noção de suas limitações, e o aprendizado que isso tudo é absolutamente aceitável. ‘’ But, baby, I ain’t Wonder Woman. I don’t know how to lasso the love out of you, Don’t you know I’m only human? / Mas, querido, eu não sou a Mulher Maravilha. Eu não sei como tirar o amor de você, você não sabe que eu sou apenas humana? ‘’ Trecho de Wonder Woman.

Golden Hour é uma obra que a principio pode demorar a engatar num ouvido desatento, porém se o ouvinte se predispor a explorar o universo intimo e sonoro, pode se perder nos versos e arranjos que esbanjam refinamento e acima de tudo alma.

Não recomendado para amantes de música fast Food de rápido consumo e esgotamento. Recomendado para aqueles que apreciam se reclinar na poltrona e apreciar essa bela iguaria cheia de texturas e sabores com doses cavalares de sentimento.

 

 

Nota 10/10

Para ouvir

Slow Burn

Lonely Weekend

Oh, What a World

Love is a Wild Thing

Space Cowboy

Happy & Sad

Velvet Elvis

Wonder Woman

High Horse

 

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