Thirty Seconds to Mars – America; Pretensiosamente Feito Para Ser Épico

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A banda dos irmãos Jared e Shannon Leto sempre aspirou pertencer ao panteão dos grandes momentos do Rock. Seja apelando para a religiosidade, as mudanças climáticas, a situação da política externa americana, as mini revoluções comportamentais do início da década de 2010 e agora o culto aos ícones midiáticos. Inclusive com America, o novo disco da banda, tendo varias opções de capas com nomes emblemáticos da cultura estado unidense.

 

 

A megalomania parece que foi aumentando com o tempo, no início era um charme inegável Jared se morfoseando diante as câmeras nos vídeos cinematográficos e sempre muito bem feitos da banda. Agora todo esse ego soa apenas como aquele tio seu que um dia foi super cool e agora quer pagar de antenado usando as gírias jovens.

Esse é o ponto partil do 30STM, America quer ser grande e revolucionaria, mas utiliza os artifícios já muito manjados dentro da indústria musical. A tentativa de misturar rock com hip hop, Walk This Way que me perdoe, aqui é confusa e solta.

Se antes os elementos eletrônicos davam um toque a mais no rock industrial feito pela banda, agora são enjoativos e exagerados.

America não é de todo ruim, serve muito bem aos fãs e a mais quem curte um som pop ambiente, e em alguns momentos é possível sentir um pouco daquele velho Thirty Seconds.

O disco abre com o Walk on Water, com uma produção mais puxada para o eletrônico que convida as pessoas a destruírem os muros que as separam, usando para isso metáforas e analogias bíblicas, com direito a um coral gospel inclusive. É inclusive interessante ver esse lado pacificador em uma época de complexas polarizações políticas.

Dangerous Night é uma faixa que grita radio, não é por menos, produzida por Zedd, ela deve ser facilmente o próximo single de trabalho. Aqui a política fica de lado e dá lugar ao romance. Por não soar pretensa como o restante da obra é justamente uma das mais interessantes.

Rescue Me e One Track Mind, essa com participação de A$AP Rocky, dão segmento ao trabalho com influências eletrônicas.

Monolith é um interlúdio que parece aquelas faixas de perseguição em filme épico, em um mundo utópico pós apocalíptico.  Não dá para entender direito o que a banda quis passar aqui, talvez seja só uma alegoria para dizer que o trabalho tem que ser lido como épico.

O que reforça esse ponto é a faixa seguinte, Love is Madness, ótima parceria com a cantora Halsey. A música não fala de um grupo em plena perseguição por uma selva em um mundo devastado, e sim de um envolvimento romântico aleatório. Poderíamos até ler que esse clima de caçada fosse devido a uma aventura nos campos psíquicos da mente, mas a profundidade piresca da letra não dá margem para essa interpretação.

Great Wide Open e Hail to The Victor, tem alguns momentos de dignidade que nos fazem jogar os bracinhos para cima e cantar juntos, aos moldes do antigo 30 Seconds.

Remedy quebra um pouco da atmosfera eletrônica, claro se você desconsiderar o auto tune usado na voz de Shannon Leto se aventurando nos vocais. A música trata se de uma carta de amor de Shannon para Jared, onde ele usando rimas nada complexas como ‘’ Alright, okay

Do you hear what I got to say? e repetidas a exaustão, destoam do restante do disco, o que poderia ser uma agradável surpresa durante a audição, mas fica solta e parecendo com um bônus track fora do lugar.

Live Like a Dream e Rider retomam o ritmo do disco e encerram o trabalho sem pontos altos a serem comentados.

America deixa a sensação de ter feito o ouvinte dar voltas sem necessariamente chegar a algum lugar, isso é as vezes agradável quando o mundo que se passeia é interessante, o que não é o caso.

Até mesmo o conceito de desbravar as entranhas da vida americana fica perdido pelo meio do caminho.

Jared já anunciou que um documentário sobre o disco sairá em breve pela Netflix, onde ele percorre os estados unidos em busca de histórias de diversos americanos, quem sabe assim o disco se torne mais coeso.

De forma geral America cumpre o seu papel de dar embasamento a uma futura turnê da banda e ter trechos cantados pela multidão, seja num show próprio ou em festivais. Como produto pop contemporâneo também tem seus méritos, agora dentro da discografia do Thirty Seconds to Mars, ele parece apenas uma colcha de sobras e retalhos do LOVE LUST FAITH + DREAMS de 2013, sem a parte do Rock claro e com letras bem mais simplistas.

Nota 4/10

Para ouvir;

Dangerous Night

Love is Madness feat. Halsey

Great Wide Open

Hail To The Victor

Dawn Will Rise

 

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