Bem-vindo ao mundo real! É uma merda! Você vai adorar

Aviso: esse texto será melhor apreciado ao som de Jovem do Supercombo.

Hoje tenho 28 anos. Sou mais velha que Janis Joplin, Amy Winehouse e Kurt Cobain. Estive mais tempo na terra que cada um deles. Fisicamente, de respirar mesmo.

Não é engraçado que mesmo mortos, todos eles estão mais vivos do que a gente? O que você faz para perpetuar o seu nome na história? O que vai ficar quando você for embora? Não estou falando de filhos não, tô falando de você. Do que adianta ser mais velha que o Jim  Morrison e não fazer valer esse tempo extra na terra?

Resumindo: porque temos tanto medo de tentar?

A vontade de arriscar é tão assustadora, que a gente prefere viver no “tá bom assim, melhor nem mexer”. Com isso, nossa rotina vai ficando cada vez mais automática: as segundas ficam mais longas e o nosso emprego se torna apenas um ganha pão que consome toda nossa vitalidade e dá de presente (muita) ansiedade.

Para ajudar, a sua amiga gordinha da escola tá exibindo uma barriga chapada no Instagram, sua prima passou no concurso concorrido, o amigo que largou a faculdade é dono do próprio negócio, um youtuber de 14 anos ganha em um ano o que você nunca recebeu na vida, a chuva de fotos no espelho pré-balada e de marmita pré-treino te irritam com mais facilidade do que o normal…. E não esqueça que na sua idade, seus pais já tinham casa própria, carro, um emprego decente e você. Sim, você.

Tá todo mundo muito bem ou é a nossa vida que tá uma merda mesmo?

A vida sem filtros das redes sociais é muito fácil de ser desmentida. Nossa, que horror! Olha eu querendo desmentir a sua viagem para praia no fim de semana! Mas é verdade ué.

Depois que passa a raiva, até que a gente fica feliz pelo seu sucesso. Um tiquinho de carimbó só, mais fica. Não estamos onde imaginávamos agora. Mesmo que digam que ainda somos jovens, o tempo parece correr. E a gente corre muito também. Corre ao ponto de criar um flashpoint e tentar fazer tudo mais cedo. Ou correr para fase em que somos de fato, donos do próprio nariz e conseguimos fugir dessa independência ilusória em que vivemos.

Mas agora, vou te contar um segredo: por mais que a nossa situação atual não seja a das melhores, acredite, tem gente querendo ter a nossa vida. Saiba também que a resposta para esse momento em que está passando, não é 42. Não é culpa do seu signo, ou do universo não te dar um empurrãozinho.

O que precisamos mesmo, é perder esse medo de ser feliz, de fazer o que nascemos pra fazer. Ao invés de secar a viagem do amiguinho, poupar e fazer a própria. Chega de ser plateia, tome o holofote para você! Não é hora de brincar, lagar tudo e arriscar, realmente não é. Mas nossos sonhos e ideais precisam ser honrados. A gente empurra tanta coisa com a barriga, qual é o problema de empurrar​ ladeira a baixo a nossa procrastinação de cada dia?

Minha intenção não ser coach não, tô só te avisando que ficar sentado se sentindo um bosta na internet não vai te tornar melhor que os outros. Faça por você. Quem fica parado é poste. Ao invés de maratonar Narcos na Netflix, assista uns 4 eps só, e dedique-se ao seu projeto um pouquinho. Depois volte pro Narcos. Ou assista Vikings, no one cares. Precisamos perder a vergonha! Precisamos de coragem. Precisamos não temer o que os outros vão pensar ou dizer, por mais doa. Aliás, que doa! Doa a quem doer. Como diria aquela música do Violins,

A felicidade sempre ofende

Mas tristeza demais cansa

 

(Bem, que se fodam os ofendidos!) 


É isso mesmo, que se fodam!

 

 

 

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária, jornalista e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que vê, tá com o TV Time todo atrasado, viciada em true crime e adora música ruim. Troy and Abed in the moooooorning. Segue lá no TV Time: Naíra Flores / Instagram @Nairaflorex

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