A necessidade de fazer o bem e ser egoísta ao mesmo tempo

https://www.pastilhadrops.com.br/2016/08/03/a-necessidade-de-fazer-o-bem-e-ser-egoista-ao-mesmo-tempo/

Gosto muito da série Friends. Muito mesmo. Sou daquelas que vê a reprise da reprise na hora do almoço como fosse a primeira vez. Mais de 10 anos após o fim da série, um episódio em específico me chamou a atenção. Quinta temporada ep 4, The One Where Phoebe Hates PBS, tem o Ross tentando se reconciliar com a chatonilda da Emily, Monica e Chandler escondendo o namoro, entre outras coisas, mas eu quero chegar é na Phoebe e no Joey.

Joey é escalado para participar de uma espécie de “Criança Esperança”, atendendo doações ao vivo e com isso, aparecendo na tv. Apesar de achar que está fazendo uma boa ação, Phoebe diz que é puro egoísmo, que ele está nessa só pela visibilidade. Joey rebate, dizendo que não existe uma boa ação sem esperar nada em troca.

Assista a cena:

 

No desenrolar da história, Phoebe tenta de todas as formas contradizer Joey. Para saber como acaba, corre lá na Netflix que tem.

Mesmo já tendo assistido esse episódio infinitas vezes, me peguei refletindo sobre a trama. Todo mundo tem em seu Facebook um ser humaninho que vive compartilhando doações de animais, faz campanha do agasalho só no inverno, até porque é um absurdo, já que morador de rua sente frio todas as noites, arrecada alimentos ou faz trabalho voluntário. Me questionei se é realmente necessário a pessoa ficar divulgando o quanto ela é ~ legal ~ ajuda o próximo ~ e não é egoísta para meio mundo. Por que até pra coisas boas a gente reclama? Não dá pra fazer uma boa ação e ficar na sua? Por que todos precisam saber que ela ajuda uma entidade? Estaria o Joey certo? Precisamos ver esse tipo de compartilhamento em nossa timeline?

A resposta é simples: sim, precisamos. Em tempos em que ataques terroristas – apesar de ainda chocantes -, já são “esperados”, maus tratos a animais se tornam virais, a jornalista culpada e o astro vítima, uma hashtag bolsomito aqui e um espancamento lá viram parte do cotidiano, precisamos sim de uma boa dose de otimismo. É mágico como o primeiro post que você vê em sua rede social impacta o seu humor pelo resto dia. Não tô dizendo para fingirmos que essas atrocidades não existem, elas não vão sumir. Mas tem hora que né? É tanta ânsia de vômito com cada absurdo que precisamos de algo para acreditar. E melhor que se prender a alguma religião, é ter fé no ser humano. Fé na humanidade.

 Ninguém quer ser anônimo na geração Snapchat. É Warhol, os 15 minutos se reduziram a segundos, veja só. O que nos incomoda é o falso moralismo, o poder de apontar e dizer “eu ajudo e você não”. É fácil separar quem doa sangue pela folga no trabalho e quem doa sempre que pode porque realmente se importa. Mas é aí que tá o babado. Quem recebe a doação não se importa se o cara tá ali só pra ficar em casa o resto do dia ou se fez de coração. O que muda no sangue é o tipo. A cor é a mesma, a funcionalidade é a mesma. Quem doa, independente do caráter, ajudou alguém. Isso dá um coceirinha idiota na gente, é esquisito né? E se fôssemos sangue? O tipo seria nosso nome. Todos iguais. Mudaria alguma coisa? Peraí, já não é quase assim (pelo menos na teoria)?

Nessa brincadeira de me preocupar se o que o outro faz é falso ou problemas de ego, percebi que antes de julgar, devo primeiro olhar pra mim. Não que eu seja obrigada a fazer algo, ninguém é. Talvez eu faça e conte para vocês… Ou já fiz e vocês nem ficaram sabendo. Sou da geração que tem tempo pra errar, aprender e descobrir. Com o Google e com a vida. A mudança não tem hora e nem sempre pede um rosto, até porque nem todo herói usa capa.

E antes que você pense que é bom ser importante, saiba que na verdade, o importante é ser bom.

 

 

Naíra Flores

Naíra Flores é publicitária e gostaria de ter a vida dirigida por John Hughes. Anota todos os filmes que assiste, tem 72 séries na grade e adora música ruim. Friends > Will & Grace >HIMYM. Instagram: @Naira.Flores

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